quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Há cidades cor de pérola onde as mulheres

Há cidades cor de pérola onde as mulheres
existem velozmente. Onde
às vezes páram, e são morosas
por dentro. Há cidades absolutas,
trabalhadas interiormente pelo pensamento
das mulheres.
Lugares límpidos e depois nocturnos,
vistos ao alto como um fogo antigo,
ou como um fogo juvenil.
Vistos fixamente abaixados nas águas
celestes.
Há lugares de um esplendor virgem,
com mulheres puras cujas mãos
estremecem. Mulheres que imaginam
num supremo silêncio, elevando-se
sobre as pancadas da minha arte interior.

Há cidades esquecidas pelas semanas fora.
Emoções onde vivo sem orelhas
nem dedos. Onde consumo
uma amizade bárbara. Um amor
levitante. Zona
que se refere aos meus dons desconhecidos.
Há fervorosas e leves cidades sob os arcos
pensadores. Para que algumas mulheres
sejam cândidas. Para que alguém
bata em mim no alto da noite e me diga
o terror de semanas desaparecidas.
Eu durmo no ar dessas cidades femininas
cujos espinhos e sangues me inspiram
o fundo da vida.
Nelas queimo o mês que me pertence.
o minha loucura, escada
sobre escada.

MuIheres que eu amo com um desespero
fulminante, a quem beijo os pés
supostos entre pensamento e movimento.
Cujo nome belo e sufocante digo com terror,
com alegria. Em que toco levemente
Imente a boca brutal.
Há mulheres que colocam cidades doces
e formidáveis no espaço, dentro
de ténues pérolas.
Que racham a luz de alto a baixo
e criam uma insondável ilusão.

Dentro de minha idade, desde
a treva, de crime em crime - espero
a felicidade de loucas delicadas
mulheres.
Uma cidade voltada para dentro
do génio, aberta como uma boca
em cima do som.
Com estrelas secas.
Parada.

Subo as mulheres aos degraus.
Seus pedregulhos perante Deus.
É a vida futura tocando o sangue
de um amargo delírio.
Olho de cima a beleza genial
de sua cabeça
ardente: - E as altas cidades desenvolvem-se
no meu pensamento quente.

Herberto Helder
Lugar
Poesia Toda
Assírio & Alvim
1979

.....

Sorriso Audível das Folhas

Sorriso audível das folhas
Não és mais que a brisa ali
Se eu te olho e tu me olhas,
Quem primeiro é que sorri?
O primeiro a sorrir ri.

Ri e olha de repente
Para fins de não olhar
Para onde nas folhas sente
O som do vento a passar
Tudo é vento e disfarçar.

Mas o olhar, de estar olhando
Onde não olha, voltou
E estamos os dois falando
O que se não conversou
Isto acaba ou começou?

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"



segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Lhasa de sela (1972 - 2010)

domingo, 3 de janeiro de 2010

2o10 - usem filtro solar

2010 - sem reservas




o Natal foi engordativo, quentinho, Alentejano, transmontano, cericaia, azevia, borba, Fraga do Facho(reserva), pais, avó, irmão, tios, primas, Badajoz, Portalegre, Torre de Moncorvo, o meu vestido castanho, o meu casaco de pelo, sms´s, livros, música, muita música,nostalgia porque o Natal é assim...and so on and so on...

Fim de década e cheguei aqui com menos peso que há dez anos, mais inteligente que há dez anos, mais madura que há dez anos, mais gira que há dez anos, mais serena que há dez anos, mais emotivamente inteligente que há dez anos, mais curiosa que há dez longos anos, mais viajada que há dez anos...the lis is long...deixo os menos da minha vida no sotão a comerem pó e a brincarem com as aranhas....

2010 - inicio de década - Fico sem reservas em relação a nada e a tudo. Tal como na cozinha e no Amor que não pode haver reservas também há alturas na vida de uma mulher que não pode haver reservas.
Este texto poderia ser mais intenso, mais extenso, mas não me apetece falar muito, é cisma de inicio de década e inicio de ano; se se fala muito não acontece nada, por isso xiuuuuu..

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

A culpa é dos publicitários





Porque é que nos tornamos consumistas? vejam lá se não precisavamos de encurralar os publicitários e os modelos nestas e noutras alturas. Depois a malta fica com neuroses e doenças mentais por ter gasto tanto dinheiro, ah pois é...O que faz bem à vista, faz mal à carteira. Novo provérbio do século que os romanos e os gregos não se lembraram.

Mensagem de Natal

O Pedro Mexia, quem admiro pelo seu trabalho, transcreveu a seguinte mensagem adequada ao ambiente que vivemos nesta quadra. É a voz de Santo Agostinho; é, aliás, a voz de muitas pessoas. A mensagem, bonita pela intenção, é, sobretudo, um enorme desafio: bem dificil de concretizar e alcançar pela qualidade do tempo que se debruça na humanidade sem romantismos e, onde o Amor, a ficar, é apenas figurinha de Banda desenhada, ou caracter de poemas, textos, músicas, intenções mais ou menos resistentes, mais ou menos intensas. Talvez Santo Agostinho tenha conseguido.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Dreaming about my Destiny

O Domingo tem este efeito de lifting, de mindstreching, sobre o meu pensamento. O blog do Pedro Rolo Duarte também me fez serenar com esta musica dos Zero7. Ou, ainda, as mensagens inesperadas que nos apertam a barriga. As visitas que fazemos e que nos fazem recordar que a tristeza é vencida com um sorriso e um aperto de mão. Conduzir numa tarde de Domingo e sentir que vives com uma enorme vontade de partir.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Al - the best

I´m feeling you are being negleted, he says. Well, i´m expecting somebody, she says. Instantly, he asks? No, but any minute now, she says. Any minute??? Some people live a lifetime in a minute, he says.

Outra mensagem por enviar

Perdão, e esta também tem assim profundidade e coisa e tal...nem sei que dizer, é terrivelmente bela.

Bat For Lashes

A mensagem que teve medo de ser enviada.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Sem título

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Tríptico

III Todas as coisas são mesa para os pensamentos onde faço minha vida de Paz num peso íntimo de alegria como um existir de mão fechada puramente sobre o ombro. - Junto a coisas magnânimas de água e espíritos, a casas e achas de manso consumindo-se, ervas e barcos altos - meus pensamentos criam-se com um outrora lento, um sabor de terra velha e pão diurno. E em cada minuto a criatura feliz do amor, a nua criatura da minha história de desejo, inteiramente se abre em mim como um tempo, uma pedra simples, ou um nascer de bichos num lugar de maio. Ela explica tudo, e o vir para mim - como se levantam paredes brancas ou se dão festas nos dedos espantados das crianças - é a vida ser redonda com seus ritmos sobressaltados e antigos. Herberto Helder

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

A idade mental - será?





quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

O destino das cartas de Amor que nunca foram enviadas

Todos em algum dia das nossas vidas escrevemos cartas de Amor que nunca chegaram ao seu destinatário, leia-se, ao nosso amor do momento, ora por falta de coragem, de jeito, ou simplesmente porque não estava escrito que elas tivessem de chegar ao nosso eleito da época. Somos todos uns babacas (influências de 3 semanas linguisticamente brasileiras), quando escrevemos cartas de amor, ficamos moles, dengosos, falamos melado, deixamos a razão numa escotilha e  tornamo-nos numa espécie de escravos sentimentais de aborrecido uso das palavras que nos servem para canal de demonstração da torrente sentimental vivida naqueles instantes; Fernando pessoa, o meu querido, era genial enquanto fernando, mas um dengoso enquanto nandinho a escrever a Ofélia; como é que alguém consegue escrever cartas assim sem ser chamado à responsabilidade e ao tribunal das paixões corpulentas, auto afirmativas e suficientes, que não precisam de recursos fraquíssimos como as estruturas linguísticas usadas nas cartas de Amor!? Eu, tal como o nandinho, fico paulinha(como odeio ser paulinha) quando escrevo cartas de Amor. Confesso que a minha sina, senhor, neste mundo, é infelizmente, ser devota das cartas de amor, e prostrar-me no genuflexório das palavras de Amor, tal qual como a devota beata das igrejas católicas, apostólicas, romanas, ou seja, uma chata e melosa na minha servidão. Porém, sucede-me, e ao contrário de outros tempos que não tenho mais coragem de as enviar e por isso fico frustrada; como chocolate durante semanas, vou à casa de banho frequentemente urinar, tenho ataques de ansiedade, taquicardias e outras que tais porque não tive o desplante de enviar os caracteres a jorrar lava de sentimentalismo barato; sou uma inútil. Uma amiga diz que tudo deve ser dito quando falamos de emoções, nada pode ficar guardado, tudo deve ser deitado para fora do casebre(coração) sob pena de não vivermos intensamente o que a vida nos oferece; eu cá fico-me pela cautela. Acho que nem tudo deve ser dito ou escrito quando estamos apaixonados sob pena de parecer e ficar afectada pela persuasão de agradar alguém. Sob pena de no outro lado nos julgarem dengosas, mesmo e quebrar o encanto. Então, eis a questão: Como escrever cartas de Amor sem sermos ridículas? Para resolver o meu problema, acho que tenho uma solução. Escrever, sim, mas em vez de as deitar para o lixo ou guardar na gaveta e arranjar com isso problemas psicossomáticos, o melhor será enviá-las para o universo que é, em meu entender o melhor dos destinatários das cartas de amor, o que está à altura da grandiosidade deste nosso pequeno acto; o mesmo será dizer que o melhor é enviar as nossas cartas de amor para um sitio como este, o blog, um universo onde tudo o que se publica fica guardado e enviado aos deuses, pelo menos a deuses silenciosos, como espero.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Back to Reality

Back from 3 weeks in Brasil.... as recordações são recordações; ficam no porão da Memória.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Woody Allen & me



I think we could be friends

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Kiss me



quinta-feira, 5 de novembro de 2009



About the painting Magritte said,


At least it hides the face partly. Well, so you have the apparent face, the apple, hiding the visible but hidden, the face of the person. It's something that happens constantly. Everything we see hides another thing, we always want to see what is hidden by what we see. There is an interest in that which is hidden and which the visible does not show us. This interest can take the form of a quite intense feeling, a sort of conflict, one might say, between the visible that is hidden and the visible that is present.[