terça-feira, 16 de março de 2010
segunda-feira, 15 de março de 2010
Começar a semana com disparates, esperando que seja Sol de pouca dura!
Um homem faz sobre a Terra a mesma figura que um piolho de uma linha de altura e de um quinto de largura sobre uma montanha de mais ou menos 15700 pés de circunferência.
Livro dos disparates, Voltaire.
Livro dos disparates, Voltaire.
quinta-feira, 11 de março de 2010
quarta-feira, 10 de março de 2010
segunda-feira, 8 de março de 2010
sexta-feira, 5 de março de 2010
quarta-feira, 3 de março de 2010
No to you, yes to me!
A presença dos dias faz-se sem sobressaltos: aduaneiros, taxativos, sem restrições de qualquer índole, como a liberdade fastidiosa da esfera rural. Uma manhã silenciosa, pueril, um cumprimento na hora do café, um passo descontraído a cortar as cortinas súcias do tempo que escorre na tua boca ausente; sempre essa ausência a esgar sobre os trilhos perniciosos do meu pensamento; não sei se pensarei mais na tua boca. Nem é bonita; é pequena, esdrúxula, côncava, a delimitar o grau do teu desejo. Tudo em ti é mudo, só o teu corpo fala estranhamente, como se te impusesses uma qualquer obrigação, uma qualquer necessidade de saltares para a longitude da vida, mas sem prazer absoluto. Therefore
domingo, 28 de fevereiro de 2010
Análise: mea culpa!
Ultimamente ando farta de tudo e de todos. Sou literalmente a canção do AV; estou bem onde não estou porque só quero ir onde não vou, e acrescento que quero o que não tenho, quero quem não tenho, e quando o tenho, volto a não querer porque deixa de ter interesse. Sou mesmo uma mente retorcida e escura. Mas esse estado de espírito já está carcomido de velho; não é a primeira vez que no meu eu se deflagram estes vulcões; ando assim mais ou menos como o Planeta, a chover imenso, a tremer de raiva, a dar umas valentes sapatadas na vida e de quem me azucrina o juízo - ainda que este último seja pouco, é, na verdade, o que tenho neste momento -. Dou por mim a detestar ver as noticias das catástrofes e a entender perfeitamente a terra, a repudiar totalmente a mentalidade dos políticos portugueses sem perceber muito bem de onde vem este ódio, a lamentar viver onde vivo, a não saber falar a linguagem de algumas pessoas, a entediar-me enormemente com as pessoas que se julgam as maiores e que os outros à volta são uma merda. Detesto pessoas pedantes (não aguento nem 5 minutos). Ainda bem que não sou rica, seria detestável; trataria todos os quem me irritassem abaixo de cão, até pior, com desprezo, indiferença, sendo portanto, a pior das piores dos pedantes. Não entendo os que não gostam de arte, ou de qualquer forma de educar o espírito através da beleza; não sei chegar às pessoas caladas, às politicamente correctas, e que actuam no amor como actuam na gestão da despesas da casa em tempos de crise: poupar, poupar e poupar. Mas se bem me lembro o amor não é negócio e muito menos economia; é gastar ao desbarato sem se preocupar com saldos e poupança; eu, tal como a Mónica Marques também sou daquelas que perguntam: Amas-me muito, quanto? Se a resposta tiver reservas então fodeu.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Arabesque
On fait toujours la vaisselle des âmes quand on écoute des musiques comme celle ci.
Il n´y a aucun toxine mentale qu´y fait son nid.
Ennuyez vous du Monde mais pas de l´art!
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
domingo, 14 de fevereiro de 2010
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Women atitude! F*** O**
Conselho no feminino: É melhor dar de rosques quando uma mulher está zangada!
Vós, espécimes do género masculino, vão apanhar ar, passear o cão, mudar a água dos vasos lá de casa, comprar cigarros(e/ou nunca mais voltar), fumar um cigarro à varanda, mudar de roupa interior, lavar a loiça, ir às compras ao supermercado mais perto, ou o que vos mais vos convier, mas nunca, por nunca ser, verbalizem um fonema sequer junto de uma Mulher Zangada, sob pena de sairem de cena direitinhos para as urgências do Hospital com um salto de 7 cms cravados numa qualquer débil parte do vosso corpo!
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Perito em Catástrofes
Ontem fui a tribunal; há uns meses atrás fui nomeada perita num processo! Eu que nunca fui perita em coisíssima nenhuma, tive ontem o meu dia por excelência. Não se deixem impressionar pela minha humilde e efémera nomenclatura. Tal como fagulha no céu, assim foi o meu episódio!
Hoje, sim, ao ler esta noticia fiz as minhas vénias mentais!
Hoje, sim, ao ler esta noticia fiz as minhas vénias mentais!
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Gossip
calhandrice
(calhandro + -ice)
s. f.Atitude de quem gosta de intrigas ou de boatos. = bisbilhotice, coscuvilhice, mexeriquice
Calhandrice é um termo cuja rubrica de autenticação provém da mais alta patente do nosso País - O nosso Governo - e, que dá nome à Novela: Mário Crespo.
A partir de agora, e para meu governo, não se admirem que eu usurpe esta palavra para a cravar na cara de quem me moleste o intestino.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Poésie inintérompue
"Tu dressais une haute épée
Comme un drapeau au vent contraire
Tu dressais ton regard contre l'ombre et le vent
Des ténèbres confondantes
Tu n'as pas voulu partager
II n'y a rien à attendre de rien
La pierre ne tombera pas sur toi
Ni l'éloge complaisant
Dur contempteur avance en renonçant
Le plaisir naît au sein de ton refus
L'art pourrait être une grimace
Tu le réduis à n'être qu'une porte
Ouverte par laquelle entre la vie"
Paul Éluard
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
NIGHT THOUGHT
ilustração: owen freeman
send me some smile
to be consciousness of you
to remind me that love
is what we have for destiny.
Send me some gracefull words
to dress my fear :
then i do not forget your presence
IN MY SOUL.
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Body milk, body lotion whatever
Um dos melhores remédios para a nostalgia e o não saber o que fazer com o tempo é cultivar hábitos de vida saudáveis, como por exemplo a natação. Ao tempo frio, há que mexer o corpo. Hoje, depois do trabalho, em mais uma ida à piscina, percebi que se pode realmente ser saudável e diferente gastando pouco dinheiro. Há a alternativa do ginásio, claro, as máquinas todas para nos fazer malhar forte e feio, mas nessa tentativa de esculpir o que mãe natureza nos oferece com a ajuda dos genes do nossos progenitores, pode tornar-se uma grande seca, ainda por cima cansativa, mal cheirosa e dispendiosa. Toda a gente a promulgar suor depois de se espraiar(como eu gosto desta palavra)naquelas máquinas, pode ser uma aventura para repelir os mais crédulos no acto da sedução. Além de que gastamos muito mais carcanhol e nos tornamos duplamente deprimidos. Os olhares podem, de facto, enviesar quando o olfacto entra em acção. Todos nós sabemos que a sedução tem muito mais a ver com o olfacto do que com o visual. Não há nariz que aguente uma moçoila ou moçoilo mal cheiroso, transpirado; perde-se logo todo o sex appel mesmo para aqueles que são primatas nesta área, que fantasiam com o eleito(a) a cheirar a cavalo. No que a mim me diz respeito, eu cá, gosto dos perfumadinhos; a atracção é como a comida, têm um elemento em comum: - o cheiro - , que nos atrai como isco, ratoeira emotiva. Ora, a piscina, é por excelência, um local dos lavadinhos, fresquinhos e dos bem cheirosos. Depois de umas valentes braçadas, vamo-nos baptizar ao chuveiro com água quentinha, e, logo em seguida, principalmente as mulheres podem mostrar os seus melhores amigos que são nem mais nem menos os body lotions à venda no mercado. Os gostos variam e há de tudo como na farmácia, seja ele de sabor a baunilha, a morango, a olive, bem, um sem número de cremes que nos transportam para a dimensão do corpo perfumado. Hoje, uma senhora, aproxima-se de mim e diz: reconheci-a por causa do cheiro do seu creme; é mesmo bom. Para minha alegria, e pela boa escolha do meu creme hidratante, veio também a ideia de que na piscina todos somos iguais, com banha ou menos banha, sem as roupas, apenas pernas, barrigas, cabelos mal amanhados, e arrepiados, caras sem maquiagem, ali ninguém é diferente; somos, sim, diferentes pela escolha do bendito creme com que untamos os nossos esqueletos mais ou menos gorditos ou mais ou menos magritos. Fiquei contente pelo grau de fraternização que se gera nos balneários de uma piscina. A Maria, a Elisa, a Jordana a Paula, deixam a sua categoria profissional lá fora e são distinguidas pelo cheiro de um creme. É bom saber que há ainda pequenas coisas que nos podem tornar diferentes, e a um custo muito em conta. Bons motivos para ir alegre para casa jantar a sopita e a fruta do costume.
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Amor Poliglota
Amo-te em diversos idiomas!
Albanês - Te dua
Alemão - Ich liebe dich
Árabe - Ana behibak (para homem)
Árabe - Ana behibek (para mulher)
Bielorrusso - Ya tabe kahay
Búlgaro - Obicham te
Catalão - T'estimo
Checo - Miluji te Danish - Jeg Elsker Dig
Chinês - Ngo oiy ney a
Croata - Volim te
Esloveno - Ljubim te
Espanhol - Te quiero / Te amo
Esperanto - Mi amas vin
Estoniano - Ma armastan sind
Filipino - Mahal kita
Francês - Je t'aime, Je t'adore
Georgiano - Mikvarhar
Grego - S'agapo
Havaiano - Aloha wau ia oi
Hebreu - Ani ohev et otha (para homem)
Hebreu - Ani ohev otah (para mulher)
Holandês - Ik hou van jou
Húngaro - Szeretlek
Inglês - I love you
Irlandês - Taim i' ngra leat
Islandês - Eg elska tig
Italiano - Ti amo
Japonês - Aishiteru
Libanês - Bahibak
Lituano - Tave myliu
Marroquino - Ana moajaba bik
Nepalês - Ma Timilai Maya Garchhu
Norueguês - Jeg Elsker Deg
Romeno - Te ubesc
Russo - Ya tebya liubliu
Turco - Seni Seviyorum
Ucraniano - Ya tebe kahayu
E se quiser ser mesmo original, diga-o em Vulcan, a língua falada na série Star Treck. "Wani ra yana ro aisha" para alguém especial.
Fonte: http://mulher.sapo.pt/actualidade/em-foco/amo-te-em-diversas-idiomas-1041037.html
Albanês - Te dua
Alemão - Ich liebe dich
Árabe - Ana behibak (para homem)
Árabe - Ana behibek (para mulher)
Bielorrusso - Ya tabe kahay
Búlgaro - Obicham te
Catalão - T'estimo
Checo - Miluji te Danish - Jeg Elsker Dig
Chinês - Ngo oiy ney a
Croata - Volim te
Esloveno - Ljubim te
Espanhol - Te quiero / Te amo
Esperanto - Mi amas vin
Estoniano - Ma armastan sind
Filipino - Mahal kita
Francês - Je t'aime, Je t'adore
Georgiano - Mikvarhar
Grego - S'agapo
Havaiano - Aloha wau ia oi
Hebreu - Ani ohev et otha (para homem)
Hebreu - Ani ohev otah (para mulher)
Holandês - Ik hou van jou
Húngaro - Szeretlek
Inglês - I love you
Irlandês - Taim i' ngra leat
Islandês - Eg elska tig
Italiano - Ti amo
Japonês - Aishiteru
Libanês - Bahibak
Lituano - Tave myliu
Marroquino - Ana moajaba bik
Nepalês - Ma Timilai Maya Garchhu
Norueguês - Jeg Elsker Deg
Romeno - Te ubesc
Russo - Ya tebya liubliu
Turco - Seni Seviyorum
Ucraniano - Ya tebe kahayu
E se quiser ser mesmo original, diga-o em Vulcan, a língua falada na série Star Treck. "Wani ra yana ro aisha" para alguém especial.
Fonte: http://mulher.sapo.pt/actualidade/em-foco/amo-te-em-diversas-idiomas-1041037.html
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Que cantam los poetas?
EL ALBA DENOMINADORA
A embestidas suaves y rosas, la madrugada te iba poniendo nombres:
Sueño equivocado, Ángel sin salida, Mentira de lluvia en bosque.
Al lindero de mi alma, que recuerda los ríos,
indecisa, dudó, inmóvil:
¿Vertida estrella, Confusa luz en llanto, Cristal sin voces?
No.
Error de nieve en agua, tu nombre.
Rafael Alberti
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Morde la vie à pleines dents
19 Janvier 2010
Période placée sous l'égide de la chance et de la réussite. Vos initiatives seront couronnées de succès autant sur le plan professionnel que dans vos loisirs, PAULA . Vous en profiterez pour débuter une activité nouvelle qui ne participera à votre épanouissement futur. N'hésitez donc pas à brûler la chandelle par les deux bouts et mordez la vie à pleines dents...
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Air - Venus
Sábado, 16 de Janeiro, os Air actuaram no Coliseu em Lisboa.
Um concerto etéreo, como é este grupo francês que nos transporta para outra dimensão.
A electrónica serve de bandeja às inúmeras misturas de sons apoiadas na magia e fantasia que só eles sabem combinar. Foi imperdível, e para iniciar o Ano de 2010 não foi nada mau; saí de lá uma pessoa melhor.
Um concerto etéreo, como é este grupo francês que nos transporta para outra dimensão.
A electrónica serve de bandeja às inúmeras misturas de sons apoiadas na magia e fantasia que só eles sabem combinar. Foi imperdível, e para iniciar o Ano de 2010 não foi nada mau; saí de lá uma pessoa melhor.
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Onde é que eu ando com a cabeça nestes dias?
Nos Air
All I need is a little time
To get behind this sun and cast my weight
All I need's a peace of this mind
Then I can celebrate
All in all, there's something to give
All in all, there's something to do.
All in all, there's something to live
With you.
Far away, far away.
All I need is a little sign
To get behind this sun and this weight off my heart
All I need is a place to hide
And there I'll celebrate.
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
Rain
A solidão é como uma chuva.
Ergue-se do mar ao encontro das noites;
de planícies distantes e remotas
sobe ao céu, que sempre a guarda.
E do céu tomba sobre a cidade.
Cai como chuva nas horas ambíguas,
quando todas as vielas se voltam para a manhã
e quando os corpos, que nada encontraram,
desiludidos e tristes se separam;
e quando aqueles que se odeiam
têm de dormir juntos na mesma cama:
então, a solidão vai com os rios...
Rainer Maria Rilke, in "O Livro das Imagens"
Tradução de Maria João Costa Pereira
Ergue-se do mar ao encontro das noites;
de planícies distantes e remotas
sobe ao céu, que sempre a guarda.
E do céu tomba sobre a cidade.
Cai como chuva nas horas ambíguas,
quando todas as vielas se voltam para a manhã
e quando os corpos, que nada encontraram,
desiludidos e tristes se separam;
e quando aqueles que se odeiam
têm de dormir juntos na mesma cama:
então, a solidão vai com os rios...
Rainer Maria Rilke, in "O Livro das Imagens"
Tradução de Maria João Costa Pereira
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Le genou de claire - Eric Rohmer
"La fascinación es un estado difícil de explicar(....) la fascinación es un pinchazo leve y persistente y es primo hermano de la obsesión. Muy difícil de olvidar por cierto."
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Equilibrio
sometimes it takes two to everything make sense and have balance:
two eyes, two ears, two hands
or
two boats
or
two life´s together
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
Há cidades cor de pérola onde as mulheres
Há cidades cor de pérola onde as mulheres
existem velozmente. Onde
às vezes páram, e são morosas
por dentro. Há cidades absolutas,
trabalhadas interiormente pelo pensamento
das mulheres.
Lugares límpidos e depois nocturnos,
vistos ao alto como um fogo antigo,
ou como um fogo juvenil.
Vistos fixamente abaixados nas águas
celestes.
Há lugares de um esplendor virgem,
com mulheres puras cujas mãos
estremecem. Mulheres que imaginam
num supremo silêncio, elevando-se
sobre as pancadas da minha arte interior.
Há cidades esquecidas pelas semanas fora.
Emoções onde vivo sem orelhas
nem dedos. Onde consumo
uma amizade bárbara. Um amor
levitante. Zona
que se refere aos meus dons desconhecidos.
Há fervorosas e leves cidades sob os arcos
pensadores. Para que algumas mulheres
sejam cândidas. Para que alguém
bata em mim no alto da noite e me diga
o terror de semanas desaparecidas.
Eu durmo no ar dessas cidades femininas
cujos espinhos e sangues me inspiram
o fundo da vida.
Nelas queimo o mês que me pertence.
o minha loucura, escada
sobre escada.
MuIheres que eu amo com um desespero
fulminante, a quem beijo os pés
supostos entre pensamento e movimento.
Cujo nome belo e sufocante digo com terror,
com alegria. Em que toco levemente
Imente a boca brutal.
Há mulheres que colocam cidades doces
e formidáveis no espaço, dentro
de ténues pérolas.
Que racham a luz de alto a baixo
e criam uma insondável ilusão.
Dentro de minha idade, desde
a treva, de crime em crime - espero
a felicidade de loucas delicadas
mulheres.
Uma cidade voltada para dentro
do génio, aberta como uma boca
em cima do som.
Com estrelas secas.
Parada.
Subo as mulheres aos degraus.
Seus pedregulhos perante Deus.
É a vida futura tocando o sangue
de um amargo delírio.
Olho de cima a beleza genial
de sua cabeça
ardente: - E as altas cidades desenvolvem-se
no meu pensamento quente.
Herberto Helder
Lugar
Poesia Toda
Assírio & Alvim
1979
existem velozmente. Onde
às vezes páram, e são morosas
por dentro. Há cidades absolutas,
trabalhadas interiormente pelo pensamento
das mulheres.
Lugares límpidos e depois nocturnos,
vistos ao alto como um fogo antigo,
ou como um fogo juvenil.
Vistos fixamente abaixados nas águas
celestes.
Há lugares de um esplendor virgem,
com mulheres puras cujas mãos
estremecem. Mulheres que imaginam
num supremo silêncio, elevando-se
sobre as pancadas da minha arte interior.
Há cidades esquecidas pelas semanas fora.
Emoções onde vivo sem orelhas
nem dedos. Onde consumo
uma amizade bárbara. Um amor
levitante. Zona
que se refere aos meus dons desconhecidos.
Há fervorosas e leves cidades sob os arcos
pensadores. Para que algumas mulheres
sejam cândidas. Para que alguém
bata em mim no alto da noite e me diga
o terror de semanas desaparecidas.
Eu durmo no ar dessas cidades femininas
cujos espinhos e sangues me inspiram
o fundo da vida.
Nelas queimo o mês que me pertence.
o minha loucura, escada
sobre escada.
MuIheres que eu amo com um desespero
fulminante, a quem beijo os pés
supostos entre pensamento e movimento.
Cujo nome belo e sufocante digo com terror,
com alegria. Em que toco levemente
Imente a boca brutal.
Há mulheres que colocam cidades doces
e formidáveis no espaço, dentro
de ténues pérolas.
Que racham a luz de alto a baixo
e criam uma insondável ilusão.
Dentro de minha idade, desde
a treva, de crime em crime - espero
a felicidade de loucas delicadas
mulheres.
Uma cidade voltada para dentro
do génio, aberta como uma boca
em cima do som.
Com estrelas secas.
Parada.
Subo as mulheres aos degraus.
Seus pedregulhos perante Deus.
É a vida futura tocando o sangue
de um amargo delírio.
Olho de cima a beleza genial
de sua cabeça
ardente: - E as altas cidades desenvolvem-se
no meu pensamento quente.
Herberto Helder
Lugar
Poesia Toda
Assírio & Alvim
1979
.....
Sorriso Audível das Folhas
Sorriso audível das folhas
Não és mais que a brisa ali
Se eu te olho e tu me olhas,
Quem primeiro é que sorri?
O primeiro a sorrir ri.
Ri e olha de repente
Para fins de não olhar
Para onde nas folhas sente
O som do vento a passar
Tudo é vento e disfarçar.
Mas o olhar, de estar olhando
Onde não olha, voltou
E estamos os dois falando
O que se não conversou
Isto acaba ou começou?
Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"
Sorriso audível das folhas
Não és mais que a brisa ali
Se eu te olho e tu me olhas,
Quem primeiro é que sorri?
O primeiro a sorrir ri.
Ri e olha de repente
Para fins de não olhar
Para onde nas folhas sente
O som do vento a passar
Tudo é vento e disfarçar.
Mas o olhar, de estar olhando
Onde não olha, voltou
E estamos os dois falando
O que se não conversou
Isto acaba ou começou?
Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
domingo, 3 de janeiro de 2010
2010 - sem reservas
o Natal foi engordativo, quentinho, Alentejano, transmontano, cericaia, azevia, borba, Fraga do Facho(reserva), pais, avó, irmão, tios, primas, Badajoz, Portalegre, Torre de Moncorvo, o meu vestido castanho, o meu casaco de pelo, sms´s, livros, música, muita música,nostalgia porque o Natal é assim...and so on and so on...
Fim de década e cheguei aqui com menos peso que há dez anos, mais inteligente que há dez anos, mais madura que há dez anos, mais gira que há dez anos, mais serena que há dez anos, mais emotivamente inteligente que há dez anos, mais curiosa que há dez longos anos, mais viajada que há dez anos...the lis is long...deixo os menos da minha vida no sotão a comerem pó e a brincarem com as aranhas....
2010 - inicio de década - Fico sem reservas em relação a nada e a tudo. Tal como na cozinha e no Amor que não pode haver reservas também há alturas na vida de uma mulher que não pode haver reservas.
Este texto poderia ser mais intenso, mais extenso, mas não me apetece falar muito, é cisma de inicio de década e inicio de ano; se se fala muito não acontece nada, por isso xiuuuuu..
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
A culpa é dos publicitários
Porque é que nos tornamos consumistas? vejam lá se não precisavamos de encurralar os publicitários e os modelos nestas e noutras alturas. Depois a malta fica com neuroses e doenças mentais por ter gasto tanto dinheiro, ah pois é...O que faz bem à vista, faz mal à carteira. Novo provérbio do século que os romanos e os gregos não se lembraram.
Mensagem de Natal
O Pedro Mexia, quem admiro pelo seu trabalho, transcreveu a seguinte mensagem adequada ao ambiente que vivemos nesta quadra. É a voz de Santo Agostinho; é, aliás, a voz de muitas pessoas. A mensagem, bonita pela intenção, é, sobretudo, um enorme desafio: bem dificil de concretizar e alcançar pela qualidade do tempo que se debruça na humanidade sem romantismos e, onde o Amor, a ficar, é apenas figurinha de Banda desenhada, ou caracter de poemas, textos, músicas, intenções mais ou menos resistentes, mais ou menos intensas. Talvez Santo Agostinho tenha conseguido.
domingo, 20 de dezembro de 2009
Dreaming about my Destiny
O Domingo tem este efeito de lifting, de mindstreching, sobre o meu pensamento. O blog do Pedro Rolo Duarte também me fez serenar com esta musica dos Zero7. Ou, ainda, as mensagens inesperadas que nos apertam a barriga. As visitas que fazemos e que nos fazem recordar que a tristeza é vencida com um sorriso e um aperto de mão. Conduzir numa tarde de Domingo e sentir que vives com uma enorme vontade de partir.
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Al - the best
I´m feeling you are being negleted, he says.
Well, i´m expecting somebody, she says.
Instantly, he asks?
No, but any minute now, she says.
Any minute??? Some people live a lifetime in a minute, he says.
Outra mensagem por enviar
Perdão, e esta também tem assim profundidade e coisa e tal...nem sei que dizer, é terrivelmente bela.
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Tríptico
III
Todas as coisas são mesa para os pensamentos
onde faço minha vida de Paz
num peso íntimo de alegria como um existir de mão
fechada puramente sobre o ombro.
- Junto a coisas magnânimas de água
e espíritos,
a casas e achas de manso consumindo-se,
ervas e barcos altos - meus pensamentos criam-se
com um outrora lento, um sabor
de terra velha e pão diurno.
E em cada minuto a criatura
feliz do amor, a nua criatura
da minha história de desejo,
inteiramente se abre em mim como um tempo,
uma pedra simples,
ou um nascer de bichos num lugar de maio.
Ela explica tudo, e o vir para mim -
como se levantam paredes brancas
ou se dão festas nos dedos espantados das crianças
- é a vida ser redonda
com seus ritmos sobressaltados e antigos.
Herberto Helder
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
O destino das cartas de Amor que nunca foram enviadas
Todos em algum dia das nossas vidas escrevemos cartas de Amor que nunca chegaram ao seu destinatário, leia-se, ao nosso amor do momento, ora por falta de coragem, de jeito, ou simplesmente porque não estava escrito que elas tivessem de chegar ao nosso eleito da época. Somos todos uns babacas (influências de 3 semanas linguisticamente brasileiras), quando escrevemos cartas de amor, ficamos moles, dengosos, falamos melado, deixamos a razão numa escotilha e tornamo-nos numa espécie de escravos sentimentais de aborrecido uso das palavras que nos servem para canal de demonstração da torrente sentimental vivida naqueles instantes; Fernando pessoa, o meu querido, era genial enquanto fernando, mas um dengoso enquanto nandinho a escrever a Ofélia; como é que alguém consegue escrever cartas assim sem ser chamado à responsabilidade e ao tribunal das paixões corpulentas, auto afirmativas e suficientes, que não precisam de recursos fraquíssimos como as estruturas linguísticas usadas nas cartas de Amor!? Eu, tal como o nandinho, fico paulinha(como odeio ser paulinha) quando escrevo cartas de Amor. Confesso que a minha sina, senhor, neste mundo, é infelizmente, ser devota das cartas de amor, e prostrar-me no genuflexório das palavras de Amor, tal qual como a devota beata das igrejas católicas, apostólicas, romanas, ou seja, uma chata e melosa na minha servidão. Porém, sucede-me, e ao contrário de outros tempos que não tenho mais coragem de as enviar e por isso fico frustrada; como chocolate durante semanas, vou à casa de banho frequentemente urinar, tenho ataques de ansiedade, taquicardias e outras que tais porque não tive o desplante de enviar os caracteres a jorrar lava de sentimentalismo barato; sou uma inútil. Uma amiga diz que tudo deve ser dito quando falamos de emoções, nada pode ficar guardado, tudo deve ser deitado para fora do casebre(coração) sob pena de não vivermos intensamente o que a vida nos oferece; eu cá fico-me pela cautela. Acho que nem tudo deve ser dito ou escrito quando estamos apaixonados sob pena de parecer e ficar afectada pela persuasão de agradar alguém. Sob pena de no outro lado nos julgarem dengosas, mesmo e quebrar o encanto. Então, eis a questão: Como escrever cartas de Amor sem sermos ridículas? Para resolver o meu problema, acho que tenho uma solução. Escrever, sim, mas em vez de as deitar para o lixo ou guardar na gaveta e arranjar com isso problemas psicossomáticos, o melhor será enviá-las para o universo que é, em meu entender o melhor dos destinatários das cartas de amor, o que está à altura da grandiosidade deste nosso pequeno acto; o mesmo será dizer que o melhor é enviar as nossas cartas de amor para um sitio como este, o blog, um universo onde tudo o que se publica fica guardado e enviado aos deuses, pelo menos a deuses silenciosos, como espero.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Back to Reality
Back from 3 weeks in Brasil.... as recordações são recordações; ficam no porão da Memória.
terça-feira, 10 de novembro de 2009
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
About the painting Magritte said,
At least it hides the face partly. Well, so you have the apparent face, the apple, hiding the visible but hidden, the face of the person. It's something that happens constantly. Everything we see hides another thing, we always want to see what is hidden by what we see. There is an interest in that which is hidden and which the visible does not show us. This interest can take the form of a quite intense feeling, a sort of conflict, one might say, between the visible that is hidden and the visible that is present.[
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
pssssssssssssssssssssstttttttttttttttttttttt
Um Fã é um admirador; este, por sua vez, é aquele que vê com admiração; esta, por seu turno, é um sentimento agradável que se apodera do ânimo ao ver a coisa extraordinária, bela ou inesperada; o inesperado, é, assim, algo que sai da espera, e chega à esperança. Logo, os fãs estão decididamente na espiral do asceta.
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Engano: onde está o Outono!?
Parece que me enganei num dos últimos post´s; o Outono não quer mesmo entrar no rectângulo à beira mar plantado. Hoje, ouve-se é o libertango do Piazzola pela mão de yo yo ma. Deixa-se para lá o bach descansado para reaparecer nos dias outoniços(como lhes chama um amigo meu).
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
A influenciável – quem influencia quem?
Sempre ouvi dizer que a falta de personalidade era sinónimo de pouca ou fraca força dos traços que definem e identificam um indivíduo. Julgando crer de que se estabelece o binómio: fortes versus fracos, tenho, no entanto, constatado nos últimos tempos que a teoria de que alguém se deixar levar pelos outros, isto é, alguém influenciável, com pouca ou fraca personalidade, sendo, para grande parte das pessoas fraqueza de comportamento, leva muitíssimo à minha desconfiança.
Ora, tendo analisado o meu comportamento e de mais alguns espécimes, tudo me leva a enveredar pelo sentido contrário: Ser influenciável não é falta de personalidade, antes ter personalidade a dobrar. Se é que que se pode dizer. E confesso, perante a desilusão que poderá causar para os meus pais, que sou decididamente uma pessoa influenciável. Mudo de opinião consoante a companhia, mudo de estado de alma segundo o humor do dia, ou a dor menstrual, a irritação cutânea que surge inusitadamente, ou a carga emocional intravenosa injectável pela rouquidão dos dias, ou ainda pelo ambiente feio à minha volta; influenciável aos sorrisos doentes, hipócritas, às maledicências, à mesquinhez, à maldade, ao barulho produzido por certas pessoas, ao não reconhecimento, à falta de justiça, à falta de atenção e de verdade, à pobreza de pensamento, and the lis is long; não sou imune e fico logo doente, sim! Fico imediatamente com sintomas de gripe em estado avançado até chegar a uma anemia espiritual que não sei bem explicar. Também verifico que sou extremamente influenciável, mas em doses extra extra large a todo e qualquer tipo de dferentes modos de vida e viveres, ao sentido de humor, à música do Vinicius do jobim, do Yo yo ma, dos gotan Project (não chegaria o espaço nesta dimensão), à melody gardot pela sua inconfundível presença, aos que querem amar e têm medo, aos que extravasam o seu eu como jactos de água, à euforia, à alegria de viver de muitos seres, às crónicas dos jornalistas do i, aos blogs do Pedro mexia e da Mónica marques e do Pedro rolo duarte, ao Lobo Antunes que multiplica as minhas vozes interiores; sou influenciável à beleza de certas pessoas, à grandeza de certas acções (as poucas que ainda se vêem), à força da tua mão; rendo-me perdidamente, (e até chego a mudar de fisionomia) ao perfume de certos pensamentos lidos no acaso, ao discurso torrente do woody allen, à voz do Peter Murphy, ao D. Quixote que me ensina a viajar sem ser reconhecida, ao murmúrio do mar; em muitas situações deixo de ser eu para ser outra pessoa, deixo o meu ego a descansar no jardim das traseiras, nos arrumos lá naquele aposento quieto e em silêncio, e parto, parto sem saber quem parte, ou de como vou ficar quando regressar. Sou influenciável ao ponto de me transformar para captar a essência das coisas e de certos lugares. Sou influenciável porque quero vencer a finitude, porque gosto de pensar que vivo mais, porque não fico só pela metade de tudo, porque não me chega só o meu eu, porque preciso de me desdobrar constantemente, reinventar, manter sagrado o que é são quando o resto é tudo loucura. Influências à parte sou levada a crer que se trata mesmo de entusiasmo, pelo que é sempre ganho.
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Um despertar diferente
A força da ausência e da indiferença,
combate toda e qualquer palavra de Amor
escrita e circunscrita a um desejo fugaz;
não deixando que se perca toda e qualquer tipo de identidade
procura-se a solidão dos dias para retemperar
o que se quer guardar de precioso.
domingo, 25 de outubro de 2009
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Teardrop
Noone should speak with dead! What happen when it comes? God, for once, should help the human being that face´s it!
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Let me think about it
Seduzir, verbo transitivo com os seguintes significados no dicionário:
1. Enganar (empregando razões tentadoras).
2. Corromper por meio de sedução.
3. Subornar; corromper.
4. Fig. Deslumbrar; fascinar.
5. Cativar; atrair.
Ora, atendendo aos 3 primeiros significados, o acto de sedução é uma forma de um sujeito activo enganar outro sujeito, neste caso passivo, pois, este, cai na armadilha do sujeito activo. Só na quarta e quinta hipóteses dadas pelo dicionário, e no seu sentido figurativo, o acto de sedução é, afinal, o deslumbramento e fascinio.
já sobre o adjectivo, sedutor, o dicionário diz:
1. Que ou aquele que seduz.
2. O que desonra uma mulher, por sedução.
3. Que faz cair em erro.
4. Tentador; encantador; atraente.
Quem sou eu para desmentir um dicionário!?
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Traição oval
A trama arma da descoberta
traição da alma aberta
acção dúbia escamoteada
duas faces reviradas.
À volta: o mundo?
dentro: o coração!
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Lucidez não é Morbidez, ponto final.
Tenho-me sentido como dizia a Amália Rodrigues: "Sou lúcida, mas não sou mórbida."
Estou com um pequeno grande problema, tudo uma questão de perspectiva, acho. Ultimamente, acontece-me uma coisa curiosa: dou a minha bondade a quem não merece, dou a minha raiva a quem me enfurece; a minha indiferença a quem não entende o que eu falo; dou a minha conversa a quem nem sabe o que é a arte de conversação. Acho que vou escrever um letreiro na porta de minha casa: sentimentos em saldo, venha abastecer a sua dispensa.
Estou com um pequeno grande problema, tudo uma questão de perspectiva, acho. Ultimamente, acontece-me uma coisa curiosa: dou a minha bondade a quem não merece, dou a minha raiva a quem me enfurece; a minha indiferença a quem não entende o que eu falo; dou a minha conversa a quem nem sabe o que é a arte de conversação. Acho que vou escrever um letreiro na porta de minha casa: sentimentos em saldo, venha abastecer a sua dispensa.
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Quando a vida acontece, a escrita pára, ou não!
Agora dou-me conta que já não vinha neste quadradinho há 8 dias; e eu a pensar que tinha sido ontem a última vez que fiz aqui pinotes, e dancei ao som da última música que passou pela cabeça. Creio que andei meio distraída, entretida a viver e, essas coisas que os humanos costumam fazer quando têm vidas comuns; então, nessas entrelinhas, foi acontecendo que terminei o livro de Miguel Sousa Tavares, no teu deserto, quase que um romance, nas palavras do autor, que me deixou desconsolada, como quando se come picanha e não há a caipirinha a acompanhar, ou ananás às rodelas e banana frita, meu deus, que desconsolo tão grande; confesso que queria mais, estava à espera de mais, mais magia no retoque dos cenários(puxa, o deserto é o lugar mais descrítivel do mundo), mais sedução na narração, mais emotividade das personagens, não sei, talvez para a próxima o Miguel me surpreenda. Também, por esses dias, deixei o saramago, e os seus cadernos de lanzarote,(já sei o que vão dizer, só agora leio os cadernos?) a apanhar poeira em cima da mesinha de cabeceira, mas nesse caso não foi desinteresse, não. Aqui foi porque a justiça literalmente me obrigou, por estes dias, a divagar numa outra novela, ou romance.(ainda não sei muito bem, que raiva essa coisa de hibridismo de géneros literários, nem é carne, nem é peixe, ou é as duas coisas); pois é, tenho 15 dias para ser perita na matéria, e como nunca fui isso em coisa nenhuma na minha vida, ando pra aí nervosa pelos cantos com receio de não dar conta do recado. Vejam bem a bolada que a vida me passa para todos os membros do corpo, não vai ser pêra doce, nem mole. Também por esses dias, andei de moto4 com o pedro; ele que já andava desencantado com a minha aversão a máquinas, moteretas, ou tudo que seja da familia das duas rodas com motor, por fim, lá consegue arrastar-me para um passeio de quase duas horas. Cheguei a casa descadeirada, mas feliz... meio a chover, meio quente, eu de chinelas de dedo, t-shirt e casaca, lá fomos percorrendo as mais variadas sendas e vielas junto ao mar, ou quase. O corpo em movimento a cortar o ar e a paisagem, os meus olhos fixos no céu, a agarrar as árvores, bem, se não foi um momento zen, esteve lá perto. Deu para canalizar as energias e o peso dessa coisa de ser obrigada a ser perita. Depois disso, comi duas vezes sardinhas assadas no pão com pimentos; confesso que sou uma sortuda, pois nas duas vezes que me lambusei com este manjar, alguém cozinhou para mim, e eu só tive que deglutir saúde. Sempre gostei de sardinhas, desde a época em que era pequena e que o meu avô comia as sardinhas pequenas fritas totalmente, e só deixava o rabo; dizia ele que fazia bem à saúde, contribuia para ossos fortes e evitava certas maleitas. Então, sempre penso que mulher que é mulher come sardinhas, ai como são boas. Também por esses dias andei de comboio, quase 8 horas(como tem sido hábito em minha vida, as viagens, ainda que pequenas, são por amor). Mas nesta última, teve um pouco de encarceramento pois ficou ao meu lado um brasileiro, jogador de futebol, ao que parecia pela conversa telefónica, a dizer que precisava de chuteiras, número 43, que as dele estavam abrindo) e dizia eu que este moço pensava que podia jogar livrementre em toda a área, já que quase toda a viagem veio com as pernas esticadas, os braços abertos e eu, a seu lado, encolhida no meu lugar, sem lugar para colocar computador, ou estender um pequeno livro, sequer.Haja paciência. Para agravar a situação, em frente a mim ficou um outro rapaz, de computador ligado, para minha inveja, de fones nos ouvidos, gemendo, sorrindo, gesticulando, sorrindo e gemendo, gesticulando e, no momento da falha de bateria, quase entrando em orbita, liga ao amigo para entrar no email dele porque não sabia como estava no jogo de computador(como diz a cidália, oh God make good but not yet). No comboio, também, um casal de brasileiros, ela a parecer india, cabelo pretissimo e compridissimo, e ele um homem de 40 e tal anos, pouco atraente, andando de um lado pro outro, sem saber os lugares onde se deveriam sentar; burrice, ou desconhecimento??nem sei, nem me interessou muito, excepto, o rosto dela que era diferente. Por fim, e após umas horas, lá consegui abrir um livro de teoria literária, para a minha pesquisa para o trabalho que tenho em mãos e em mente, e de soslaio vejo que o moço a meu lado, deita o olho para ver o que estou a ler. boing; acho que teve uma desilusão, caiu e fracturou o fémur entre outros; devagarinho voltou à sua posição de passageiro normal. Fui salva pela literatura (afinal serve para alguma coisa) Eu, entretanto, fui viajando e lendo, que é tudo a mesma coisa, até casa. Agora dei-me conta, este artigo o escrevi em português meio abrasileirado; já sei onde está o gato: o meu tio de S.Paulo está por cá, comprei a viagem para o Brasil e tenho andado a treinar o sotaque(como sou influenciável, chiça!!!)E além disso, dei-me conta que não quero ser mais romântica, ou seja lá o que isso fôr; tenho a impressão que essa coisa de mostrar as emoções não é impressionável, é desencanto até; mas depois explico porquê, agora tenho que trabalhar(como se isso fizesse a minima diferença para esta situação).
terça-feira, 29 de setembro de 2009
familiar feeling
mais música neste blog, moloko, familiar feeling; a vida é a água a escorrer nas veias; extraordinário cenário de fundo para quem quer sair e correr por esse mundo fora e apreender todos os sentimentos que abarcam o universo, ainda que este universo seja o da nossa mente transportada para a realidade que nos circunda. Hoje tive todas as esperanças na mão e deixei-as ao ar, à ventania que corta a pele fazendo-nos sentir mais vivos e mais seres humanos. somos nós e a nossa circunstância, como alguém já disse, somos nós e as forças exteriores, e em tudo isto se revela alma humana sem precendentes, porque só assim se vive. Hoje a dúvida é aquela que nos assola e visita numa tarde de terça feira em que nos apetece tudo, excepto sobreviver e sentir que não se vive.
domingo, 27 de setembro de 2009
Contente, ganhou o povo português!
Ganhou o engenheiro José Sócrates, ganhou o Partido socialista, mas sobretudo ganhou o povo porque foi sábio, inteligente e demonstrou quesabe sempre decidir e escolher o que é melhor em determinado momento para si e para o País; precisamos de modernidade e o povo soube e teve consciência disso; precisamos de estar ao lado da europa e o povo teve esse critério associado à sua decisão. Não precisamos de um país conservador, elitista, retrogado, parado e o povo soube perfeitamente disso...
É motivo para estarmos mais felizes e confiantes no futuro.
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Breathe in and out
ora bem, vamos lá suavizar este blog outra vez.... just believe and just breathe.
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Coco avant channel
Há dias em que me sinto como a Audrey tautoo, (tão linda, ela) no papel de coco channel. Tanta força e beleza naquele olhar. Tenho que dizer que quando vi este filme, em lisboa, tinha a sala de cinema só para mim e para quem em acompanhava. Uma sala inteirinha, vazia, com 2 espectadores. Parece que aquela personagem falava só para mim. Foi como tivesse recebido um recado de lá de cima, ainda que a minha racionalidade me desvie deste tipo de comportamentos ou idealizações de mensagens divinas. Vi e revi-me naquele papel, (não querendo ser muito presunçosa ao afirmá-lo). Foi, sem dúvida, uma das melhores situações de género cinematográfico dos últimos tempos. Saí de lá com a sensação semelhante à de hoje. Assim, como que meio alienada de tudo e de todos, forte, segura, independente, suficiente só porque existo. Ultimamente, aliás, ando com desejos românticos e megalómanos, de ser maior do que tudo que está à minha volta; em certos dias, o espaço que me circunda é significativamente menor que todos os meus pensamentos; há momentos em que penso abundantemente partir por esse mundo fora sem tempo determinado, deixar de ser um nome, uma profissão, ou criar raizes; deixar de passar nas mesmas ruas de todos os dias, deixar de cumprimentar as mesmas pessoas e, partir, para misturar-me com o desconhecido, com as ruas inexploradas, com as cidades distantes; há dias que me deixo contaminar por esta incrivel necessidade de fugir e recomeçar tudo de novo, apaixonar-me por outros lugares,(porque a beleza do mundo é tanta e cura tantos males), recriar a minha vida, recriar-me, e alterar até o funcionamento das minhas células; há dias em que me apetece ser rebelde com o futuro. Há dias em que tenho a certeza que existe tanta coisa para descobrir sobre esta pessoa que me habita, tanta forma para ser e sentir; sou meio obsessiva com a necessidade de me sentir viva. Se vai desencadear alguma patologia grave, não sei, mas o que sei é que é esta obsessão que me faz andar....
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
closer
como este blog andou parado estes dias, hoje é dia de bombardeamento virtual; closer, dos kings of leon, para reforçar a heresia de emoções que atravessaram na minha vida, uma vez mais. A vida é curta e a malta tem mais é que se fazer à estrada. Por esta altura também, estou a ser salva por Mónica Marques a jornalista do i, que apesar de não me conhecer de lado nenhum, nem saber sequer que eu existo, tem feito milagres na minha vida.É incrível, como às vezes o poder dos estranhos é bem maior sobre nós do que aqueles que temos por perto. OBRIGADA MÓNICA!!
kings of leon
O fim de semana foi cheio de vida. Há músicas que acompanham e anunciam a experiência humana; foi o caso desta.
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
Patrick swayze
DIRTY DANCING
quem não foi feliz a ver o patrick swayze no filme: dirty dancing?
eu fui e muito.
quem não foi feliz a ver o patrick swayze no filme: dirty dancing?
eu fui e muito.
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Voando sobre um ninho de cucos
A propósito da homenagem feita a Milos Forman, no ciclo de cinema, Douro Film Harvest, decidi rever o seu filme: "voando sobre um ninho de cucos". Jack nickolson, brilhante na interpretação, deixa antever a fatalidade do destino de alguém, que apesar da luta, sucumbe ao ambiente onde se encontra; um hospital psiquiátrico, o cenário de toda a acção, é palco para desfilarem as personagens mais hilariantes e afastadas de toda a realidade, à excepção do "chefe", um índio com 2 metros que se faz passar por surdo-mudo para evitar que a dolorosa realidade onde vive, o afectasse ainda mais. Na verdade, é com nickolson, que este personagem vê a salvação
da morte espiritual e, posteriormente a fuga do hospicio.
Um excelente filme que nos recorda que a vida do homem pode não ser sempre ascendente.
sábado, 12 de setembro de 2009
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
A solidão das caminhadas & solidão literária
As caminhadas têm sido, senão muito, pelo menos bastante revigorantes do ponto de vista físico. No entanto, a mente, essa, anda atracada em portos marítimos distantes.
Ontem recebi um dos emails mais bonitos dos últimos tempos, que fala sobre solidão segundo palavras de chico buarque e diz assim:
SOLIDÃO VISTA PELO CHICO BUARQUE
"Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo.....
isto é carência.
Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar.....
isso é saudade.
Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos.....
isso é equilíbrio.
Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente para que revejamos a nossa vida.....
isso é um princípio da natureza.
Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado.....
isso é circunstância.
Solidão é muito mais do que isto. Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma .....
Não sei porquê mas quando recebi este texto coloquei os meus últimos dias de joelhos perante estas palavras. Às imagens mentais que vão saindo das gavetas, surgem também o corolário de situações vividas e pessoas fotografadas, e sua inclusão na categoria de momentaneamente e intensamente sós.
Primeira imagem: um descampado perto de um campo de futebol, eis que surge aquele que foi o homem mais solitário que vi na minha vida. A cabeça em direcção ao chão, as mãos abandonadas, e atrás de si, um quase invisível gatinho preto e branco. A marcha do homem e do animal eram uma só.
Segunda imagem: Mulher, 40 anos, filha 20, filho 8.O filho joga à bola com um amiguinho, a rasgar o vento, longe do olhar da mãe; a filha, beija-me, cheira o meu perfume, observa o meu vestido, as minhas olheiras, e na sombra vejo enterradas as suas emoções. A mãe, com um vestido rosa e lilás, lenço azul a colorir a cabeça e o olhar mais brilhante do universo a caminhar na minha direcção; atrás dela, esmagada perante o poder da sua alma, um linfoma reincidente.
Terceira e última imagem: Mulher, 35 anos, pára o carro, sai em direcção a um café, espreita não vê ninguém, mas no entanto entra; toma café, olha(não olha) o jogo da TV, não sabe para onde olhar, sozinha sai do café, vai a um jardim cheio de gente, não vê ninguém, volta ao mesmo café, pede para se sentar com um conhecido, não têm assunto. É, no entanto, salva pelo João, 10 anos, a pedir a sua presença na bilheteira do cinema porque está lá a mãe à espera para levantarem os bilhetes. Com carinho, à saída do café, a mulher pede a mão ao miúdo; ele leva-a. Ela sorri e descansa finalmente. Na sala de cinema, fica entre duas mulheres que não vê, e abandona-se à tela: julie & júlia, ante estreia, a inaugurar o Ciclo de cinema.
Ontem recebi um dos emails mais bonitos dos últimos tempos, que fala sobre solidão segundo palavras de chico buarque e diz assim:
SOLIDÃO VISTA PELO CHICO BUARQUE
"Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo.....
isto é carência.
Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar.....
isso é saudade.
Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos.....
isso é equilíbrio.
Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente para que revejamos a nossa vida.....
isso é um princípio da natureza.
Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado.....
isso é circunstância.
Solidão é muito mais do que isto. Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma .....
Não sei porquê mas quando recebi este texto coloquei os meus últimos dias de joelhos perante estas palavras. Às imagens mentais que vão saindo das gavetas, surgem também o corolário de situações vividas e pessoas fotografadas, e sua inclusão na categoria de momentaneamente e intensamente sós.
Primeira imagem: um descampado perto de um campo de futebol, eis que surge aquele que foi o homem mais solitário que vi na minha vida. A cabeça em direcção ao chão, as mãos abandonadas, e atrás de si, um quase invisível gatinho preto e branco. A marcha do homem e do animal eram uma só.
Segunda imagem: Mulher, 40 anos, filha 20, filho 8.O filho joga à bola com um amiguinho, a rasgar o vento, longe do olhar da mãe; a filha, beija-me, cheira o meu perfume, observa o meu vestido, as minhas olheiras, e na sombra vejo enterradas as suas emoções. A mãe, com um vestido rosa e lilás, lenço azul a colorir a cabeça e o olhar mais brilhante do universo a caminhar na minha direcção; atrás dela, esmagada perante o poder da sua alma, um linfoma reincidente.
Terceira e última imagem: Mulher, 35 anos, pára o carro, sai em direcção a um café, espreita não vê ninguém, mas no entanto entra; toma café, olha(não olha) o jogo da TV, não sabe para onde olhar, sozinha sai do café, vai a um jardim cheio de gente, não vê ninguém, volta ao mesmo café, pede para se sentar com um conhecido, não têm assunto. É, no entanto, salva pelo João, 10 anos, a pedir a sua presença na bilheteira do cinema porque está lá a mãe à espera para levantarem os bilhetes. Com carinho, à saída do café, a mulher pede a mão ao miúdo; ele leva-a. Ela sorri e descansa finalmente. Na sala de cinema, fica entre duas mulheres que não vê, e abandona-se à tela: julie & júlia, ante estreia, a inaugurar o Ciclo de cinema.
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
As caminhadas nocturnas
23:00, em casa, e já mais descansada, faço a trajectória mental da minha última caminhada nocturna. Quando tudo à nossa volta está incrivelmente parado, afásico, chato, há que mexer o corpo para a mente não entrar em parafuso, ou desparafusar por completo. Viver no bucolismo pode cansar um espírito hedonista. Ainda que não há mal que dure para sempre também não há bem que faça bem para sempre. Anyway, o segredo está em contrariar tudo, para termos o retorno em felicidade. Esse é um dos pensamentos que tem vindo a povoar a minha cabeça: senão vejamos, quando estou um sábado e domingo prostrada, sem apetite de fazer rigorosamente nada a não ser preguiçar no sofá, sem mexer um musculo, só mesmo o polegar e o indicador dos dedos para virar a página do livro, enviar mais um sms, ou teclar no computador para mudar para a próxima faixa de música de outro cd; quando o tédio é maior que a vontade, há necessariamente de não ouvir os desejos do corpo e da carne deleitosamente refastelada no prazer de dolce fare niente, e procurar o movimento. Andar, mexer os braços, as pernas, ou seja, libertar endorfinas. Daí, advém a maior das alegrias, garanto-vos. Pelo que, oxigenar o corpo pode ser incrivelmente uma sensação de felicidade extrema. Posto isto, e nos últimos dias, decidi encetar as minhas caminhadas nocturnas, umas vezes acompanhada, outras sozinha com a exaltação dos meus pensamentos. Hoje, no entanto, a coisa foi diferente, saí, bati o portão, olhei a lua que parecia abraçar o planeta de tão majestosa e grandiosa, o calor de Setembro a afagar a pele, umas calças de fato de treino, a t-shirt e o telemóvel para povoar as minhas mãos que não sabem não estar ocupadas, andantes dengosas na rua, e aí vou estrada fora. O ritmo que tentava manter acelerado foi logo abortado; primeira paragem: full stop for compliments. Duas senhoras velhotas, sentadas num banquinho em pedra, junto a umas bombas de gasolina, e detrás de uma lavagem automática de carros (imaginem o cenário), estas duas senhoras que assistiram aos meus primeiros passos, todos, digo-vos eu, até os grandes trambolhões da minha bicicleta lilás que tive quando era garota, ou os passos, em versão corrida atabalhoada pelo canelho que dava para a casa do meu avô, diziam-me: - então já vai dar a sua voltinha? - Tem que ser, respondo eu. E vocês não vão dar uma voltinha? - Oh menina, nós já não podemos, as pernas não deixam, mas vemos os outros caminhar; (individual thought: quando não se caminha com as pernas, caminha-se com a mente. Será que é isso a velhice? Será que é essa a alegria que se tem quando as pernas não cumprirem a sua função? Vendo assim as coisas, parece-me compensador, chegar à velhice e não podendo exercitar as jambes, ao menos ser feliz ao recordar as caminhadas passadas. Por enquanto, eu ainda tenho muito caminho e as pernas ainda muito para palmilhar e volto assim à estrada, deixando-lhes o meu melhor sorriso semelhante a uma gioconda ensimesmada. Mais à frente, desta feita um grupo de senhores e senhoras de meia idade, uma delas com a bengala a firmar terreno, olham para mim para receberem um cumprimento; assim o faço, uma boa noite o mais inaudível possível para não perturbar a hegemonia do grupo que às tantas dizia: o Amor e a compreensão, tudo vencem! Com esta me arrombaram, chek-mate. Parti, sem mais delongas, que o percurso me espera para ao menos pensar que corro na corrida de combater a celulite que se instala dia a dia, pois com amor e muita compreensão, à mistura, talvez seja a próxima Catarina Furtado cá do sitio….
sábado, 5 de setembro de 2009
MGMT
TIME TO PRETEND
ORACULAR SPECTACULAR
LIVE FAST AND DIE YOUNG
Muito diferente da MG, (leia-se Melody Gardot) do último post, falo dos MGMT. São uma banda que desencadeia a filosofia do reveiller les âmes ennuies; é tempo de viver, é tempo de afastar o tédio que se instala silenciosamente a minar as vidas dos indivíduos; ao adormecimento e apatia disseminadas eles respondem com música a transportar-nos para un nouveau monde, de duendes magnetizados, de paraíso recriado pelo syndi pop, indie rock, psychedelic pop; time to pretend, por exemplo, é o tempo da fruição da joie de vivre urbana. Mas é ainda a saudade da infância, do lar, do carinho maternal, e também o corte umbilical com tudo isso para deixar a vida acontecer e tomar o seu curso. Temas que se esgotam em qualquer livraria ou discografia, mas que os MGMT apresentam sob outras roupagens.
Também, Electric feel, é sem dúvida, o do not move from this notes; o campo magnetizado das emotions; quem se lembraria de comparar emoções a campo magnético?! Electricidade na mente e no Amor; dá-nos vontade de dançar, afastar-nos de todas as correntes e partilharmos esta corrente eléctrica emocional que nos faz vibrar. Kids, é já o prelúdio de que algo de bom se vai passar nos próximos minutos. Os sintetizadores, longe de serem supérfluos, encaminham a letra e erguem-na a um lugar longínquo, far away from sadness and misery to reach the cords of the heart….
ORACULAR SPECTACULAR
LIVE FAST AND DIE YOUNG
Muito diferente da MG, (leia-se Melody Gardot) do último post, falo dos MGMT. São uma banda que desencadeia a filosofia do reveiller les âmes ennuies; é tempo de viver, é tempo de afastar o tédio que se instala silenciosamente a minar as vidas dos indivíduos; ao adormecimento e apatia disseminadas eles respondem com música a transportar-nos para un nouveau monde, de duendes magnetizados, de paraíso recriado pelo syndi pop, indie rock, psychedelic pop; time to pretend, por exemplo, é o tempo da fruição da joie de vivre urbana. Mas é ainda a saudade da infância, do lar, do carinho maternal, e também o corte umbilical com tudo isso para deixar a vida acontecer e tomar o seu curso. Temas que se esgotam em qualquer livraria ou discografia, mas que os MGMT apresentam sob outras roupagens.
Também, Electric feel, é sem dúvida, o do not move from this notes; o campo magnetizado das emotions; quem se lembraria de comparar emoções a campo magnético?! Electricidade na mente e no Amor; dá-nos vontade de dançar, afastar-nos de todas as correntes e partilharmos esta corrente eléctrica emocional que nos faz vibrar. Kids, é já o prelúdio de que algo de bom se vai passar nos próximos minutos. Os sintetizadores, longe de serem supérfluos, encaminham a letra e erguem-na a um lugar longínquo, far away from sadness and misery to reach the cords of the heart….
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
MG (Plus)
MG, ou Melody Gardot representa a nova diva etérea do jazz americano moderno. A sua história de vida é casual, como tantas outras; mas do que para muitos teria sido uma tragédia esta jovem cantora converteu o acidente que teve aos 19 anos enquanto andava de bicicleta, numa autêntica viagem dentro de si. Às vezes o trágico pode revelar-se o início de algo tão belo. Foi o caso. If the stars were mine, our love is easy, baby, I’m a fool, my worrysome heart, são exemplos de rara beleza Sonora e radiante voz que parece nascer de um fundo emotivo intenso individual e único. Na esteira de billie holiday pelo estilo musical, distancia-se pela fragilidade timida com que cada nota rompe o silêncio. Para ouvir e amar.
http://www.youtube.com/watch?v=qcebJ37cZKQ
http://www.youtube.com/watch?v=qcebJ37cZKQ
strengh and soul deep in the corners of my mind
A força interior é algo inato ao individuo ou desenvolve-se nele a partir do momento em que se tem necessidade e a obrigação moral de se ser no meio dos homens?
sexta-feira, 24 de julho de 2009
Garrett
O Almeida previu o que se está a abater sobre o mundo e aponta as causas da crise financeira.
Se em cada nação, espalhada por este lindo planeta, fosse obrigatório a leitura de Viagens da minha terra do nosso Almeida Garrett, não teríamos que assistir ao eclodir da crise económica. Não senhora. Títulos nos jornais nacionais e internacionais como: “Crise económica internacional é tema de debate de amanhã no Parlamento, “Sócrates diz que Estado vai proteger portugueses”, “ O primeiro-ministro prometeu também "apoiar as famílias, particularmente as famílias mais carenciadas" e "orientar o país e a economia portuguesa para responder às dificuldades que vêm de fora". Ou, Downing Street summit after bank chaos his shares and savers, deixariam, certamente de fazer sentido e evitar-se-ia o pânico gerado entre a malta que labuta de sol a sol para ganhar o pão para comer.
Garret levanta a questão:” Quantas almas é preciso dar ao Diabo, e quantos corpos se têm de entregar no cemitério para fazer um rico neste Mundo?” (cap.III de Viagens na minha Terra). O problema de tudo está nos ricos do Mundo. É como o efeito Borboleta, o bater de asas de uma simples borboleta pode influenciar o curso natural das coisas e, assim, talvez provocar um tufão do outro lado do mundo, também o mesmo acontece em cada rico que nasce, há uns quantos seres humanos a empobrecer em qualquer parte do mundo, uns quantos que puxam a carroça para outros andarem em cima dela, uns quantos a suportar o peso do das contas gordas dos ricos. Mas Garrett vai mais longe e a certa altura da sua narrativa reflecte sobre a condição humana e a busca de um sentido para a Humanidade: “ Não: Plantai Batatas, ó geração de vapor e de pó de pedra, construí passarolas de Ícaro, para andar a qual a mais depressa, … estas horas contadas de uma vida toda material, maçuda e grossa como tendes feito….Andai, reduzi tudo a cifras, todas as considerações deste mundo a equações de interesse corporal, comprai, vendei, agiotai. “– No fundo de tudo Isto o que lucrou a espécie Humana? Que há mais umas poucas de dúzias de espécies de homens ricos? E o resto dos mortais sem saber muito bem o que fazer da vida….
Se em cada nação, espalhada por este lindo planeta, fosse obrigatório a leitura de Viagens da minha terra do nosso Almeida Garrett, não teríamos que assistir ao eclodir da crise económica. Não senhora. Títulos nos jornais nacionais e internacionais como: “Crise económica internacional é tema de debate de amanhã no Parlamento, “Sócrates diz que Estado vai proteger portugueses”, “ O primeiro-ministro prometeu também "apoiar as famílias, particularmente as famílias mais carenciadas" e "orientar o país e a economia portuguesa para responder às dificuldades que vêm de fora". Ou, Downing Street summit after bank chaos his shares and savers, deixariam, certamente de fazer sentido e evitar-se-ia o pânico gerado entre a malta que labuta de sol a sol para ganhar o pão para comer.
Garret levanta a questão:” Quantas almas é preciso dar ao Diabo, e quantos corpos se têm de entregar no cemitério para fazer um rico neste Mundo?” (cap.III de Viagens na minha Terra). O problema de tudo está nos ricos do Mundo. É como o efeito Borboleta, o bater de asas de uma simples borboleta pode influenciar o curso natural das coisas e, assim, talvez provocar um tufão do outro lado do mundo, também o mesmo acontece em cada rico que nasce, há uns quantos seres humanos a empobrecer em qualquer parte do mundo, uns quantos que puxam a carroça para outros andarem em cima dela, uns quantos a suportar o peso do das contas gordas dos ricos. Mas Garrett vai mais longe e a certa altura da sua narrativa reflecte sobre a condição humana e a busca de um sentido para a Humanidade: “ Não: Plantai Batatas, ó geração de vapor e de pó de pedra, construí passarolas de Ícaro, para andar a qual a mais depressa, … estas horas contadas de uma vida toda material, maçuda e grossa como tendes feito….Andai, reduzi tudo a cifras, todas as considerações deste mundo a equações de interesse corporal, comprai, vendei, agiotai. “– No fundo de tudo Isto o que lucrou a espécie Humana? Que há mais umas poucas de dúzias de espécies de homens ricos? E o resto dos mortais sem saber muito bem o que fazer da vida….
domingo, 23 de novembro de 2008
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