segunda-feira, 10 de maio de 2010
The Stick Men( e ainda há gente que se lamenta)
ON THE hilly streets of Chongqing, men with thick bamboo poles loiter for customers who will pay them to carry loads. The “stick men”, as they are called, hang the items from either end of the poles and heave them up over their shoulders. In a city where the Communist Party chief, Bo Xilai, likes to sing old revolutionary songs, these workers should be hymned as heroes. Yet few of them are even classed as citizens of the city where they live.
Most of the stick men were born in the countryside around Chongqing. (The name covers both the urban centre that served as China’s capital in the second world war, and a hinterland, the size of Scotland, which the city administers.) Since 1953, shortly after the Communists came to power, Chinese citizens have been divided into two strata, urban and rural, not according to where they live but on a hereditary basis. The stick men may have spent all their working lives on the streets of Chongqing, but their household registration papers call them “agricultural”.
para ler aqui
sexta-feira, 30 de abril de 2010
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Malhar na Arraia Miúda!
A Joana Amaral Dias, de quem aconselho vivamente a leitura do seu livro: Maniacos de Qualidade, rasgou este espaço virtual com um parágrafo que recomendo vivamente. Para ler aqui.
Preocupa-me violentamente o estado das coisas.
Preocupa-me violentamente o estado das coisas.
terça-feira, 27 de abril de 2010
Provérbio chinês: Todos os dias arrumamos os cabelos, porque não o coração?
A alegria deve ser alternada com períodos de nostalgia, de reflexão, de interiorização, sem necessariamente se cair na depressão, isto é, aquela tristeza himalaia erguida dentro de nós por longos períodos que não nos deixa apreciar o bom, o belo da vida; tenho para mim que se deve aprender, no fundo, a sedimentar as ideias nos compartimentos internos e depois deixar actuar na personalidade as boas emoções. Gosto de pessoas discretas, serenas, mas intensas; supérfluas quando têm que ser supérfluas(a vida às vezes já nos presenteia com acontecimentos pesados o suficiente). Não gosto de histriónicos, não gosto de pessoas que concentram o seu discurso a relatar a sua vida e acontecimentos que nela operam como se de uma história interessantissima se trate; milhões de estórias de milhões de pessoas deste planeta são interessantissimas; a nossa estória de vida é sem dúvida única, e como tal deve ser preservada, guardada para nós, sob pena de andar na boca de algumas pessoinhas que não sentiram o que nós sentimos quando nos aconteceu o que aconteceu, nem vêem a nossa vida como algo interessante porque também têm as suas vidas interessantes. Há ainda os que sofrem de alter egos inflamados: A pessoa que tem um alter ego inflamado é do pior que há, não obrigada. Não há ponte possível; não deixam espaço para mais nada; são os narcisos a reflectirem no lago e, isso, só emoldurado numa tela num museu. Também há o lastimoso que se torna sedento de piedade e para isso também não há pachorra. A piedade é passar o recibo de incapacidade a alguém de ser capaz de gerir a sua vida. Quem melhor do que nós para sabermos como gerir as nossas vidas? Há depois os loucos que apesar de certos e fascinantes andam a esmurrar-se com a sociedade e isso cria hematomas e depois a pomada para sarar leva tempo. Há os que têm vidas dificeis e, esses, nem tempo têm para falar, quanto mais para se queixar. Há, e para minha felicidade, o Género sóbrio e Humilde sem se despojar de personalidade; o que concilia a inteligência com Humildade e discrição, adicionando-lhe a simpatia, ainda que por dentro seja visitado pelos tais Himalaias que se instalam em nós de quando em vez; o que se rende ao mundo das ideias e das pessoas que gosta, sem medos. Silencioso e ao mesmo tempo actuante; confiante e ao mesmo tempo humilde. Há certamente mais casos que irei nomeando oportunamente; estes foram só os que têm ultimamente desfilado à frente do meu globo ocular. ah, esqueci de me integrar num destes quadros, mas agora também não vale a pena, deixo isso para o espelho de todas as manhãs.
segunda-feira, 26 de abril de 2010
sexta-feira, 23 de abril de 2010
2010 - Apocalipse me
Ontem foi a minha estreia na rádio. O debate sobre a palavra dita versus palavra escrita. As palavras fazem sempre parte da minha vida e já agora também o ginásio: a elitica, o remo, a bicicleta. 2010 é o ano do Tigre para os chineses; parece, e segundo os cálculos deles, que também sou tigre; portanto este será o meu ano, para o dedicar a mim e não aos outros; para experimentar novas palavras, novos hábitos, novas idas a concertos, e novos convites assim de vez em quando para ver se se minimizam os efeitos que algumas realidades andam a lançar; estou como o Pacheco Pereira e ainda recordando o último Post: Como adoro Vulcões! Mas dentro de mim.
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Acto ou efeito de vulcanizar, ou seja, Eyjafjallajokull
Os vulcões têm efeitos devastadores e a comprovar está este na islândia: voos cancelados, aquela megalomania nos céus com o que esse vulcãozinho anda a expelir, prejuízos aos milhares de Euros, dores de cabeça nos aeroportos, noites sem dormir, dias à espera para regressar a casa, o ter que permanecer quando tem que se andar. Este vulcão deve ter a mania realmente de que as pessoas têm a vida dele: a dormir durante não sei quanto tempo e de repente sem dar caneco a ninguém resolve despertar até os Deuses que estavam tão tranquilos da vida lá nos céus a governar. Quero saber quem vai limpar tamanha festa que este rapazinho decidiu fazer ao acordar do seu sono de Cinderela. Pois é. Agora temos que aguentar a bomboca de mais um capricho do menino a berrar e a deitar baba por tudo quanto é espaço aéreo. Não há pachorra. Já não chegam os vulcões que nos habitam, com as suas manias e esquisitices, daqueles que nos fazem fazer 3 parvoíces e 1 coisa sensata só porque queremos sentir que estamos vivos que ainda vem este senhor da Islândia com tamanha verbosidade - noone can´t stand it -. Já não chegam as nossas lavas como a angústia de te perder numa terça-feira qualquer só porque já não aguentas gostar desta maneira e eu não consigo gostar desta maneira, e porque não estava escrito lá no céu que eu e tu pudessemos existir aqui em baixo, que ainda tinha de vir este vulcão islandês para lançar a sua maldade para o céu, que é o único lugar que não me canso de olhar, olhar sem ter medo.
sexta-feira, 16 de abril de 2010
16 de Abril 1889
Comemora-se hoje o aniversário daquele a quem não foi preciso falar muito para mudar a rotação do planeta. Às vezes é assim comigo, gosto de alguns tipos de silêncio entre as pessoas e ainda assim saber que estamos a comunicar; não deixar cair palavras só por deixar. É no silêncio que se edificam as pontes e não barreiras. As palavras têm dupla personalidade: Atraiem-nos ou afastam-nos das pessoas. Os gestos têm carácter sólido e é nessa solidez que se erguem as palavras verdadeiras.
quinta-feira, 15 de abril de 2010
terça-feira, 13 de abril de 2010
Balada para un loco - Astor Piazzolla
Las tardecitas de Buenos Aires tienen ese que se yo, viste?
Salgo de casa por Arenales, lo de siempre en la calle y en mi...
Cuándo, de repente, detras de un árbol, se aparece el.
Mezcla rara de penultimo linyera
y de primer polizonte en el viaje a Venus.
Medio melón en la cabeza,
las rayas de la camisa pintadas en la piel,
dos medias suelas clavadas en los pies
y una banderita de taxi libre levantada en cada mano.
Parece que solo yo lo veo,
Porque él pasa entre la gente y los maniquíes le guiñan,
los semáforos le dan tres luces celestes
y las naranjas del frutero de la esquina
le tiran azahares.
Y así, medio bailando y medio volando,
se saca el melón, me saluda,
me regalo una banderita y me dice:
(Cantado)
Ya sé que estoy piantao, piantao, piantao...
No ves que va la luna rodando por Callao,
que un corso de astronautas y niños, con un vals,
me baila alrededor... ¡Bailá! ¡Vení! ¡Volá!
Ya sé que estoy piantao, piantao, piantao...
Yo miro a Buenos Aires del nido de un gorrión
y a vos te vi tan triste... ¡Vení! ¡Volá! ¡Sentí!...
el loco berretín que tengo para vos.
¡Loco! ¡Loco! ¡Loco!
Cuando anochezca en tu porteña soledad,
por la ribera de tu sábana vendré
con un poema y un trombón
a desvelarte el corazón.
¡Loco! ¡Loco! ¡Loco!
Como un acróbata demente saltaré,
sobre el abismo de tu escote hasta sentir
que enloquecí tu corazón de libertad...
¡Ya vas a ver!
(Recitado)
Y asi diziendo, el loco me convida
a andar en su ilusión super-sport
Y vamos a correr por las cornisas
¡con una golondrina en el motor!
De Vieytes nos aplauden: "¡Viva! ¡Viva!",
los locos que inventaron el Amor,
y un ángel y un soldado y una niña
nos dan un valsecito bailador.
Nos sale a saludar la gente linda...
Y loco, pero tuyo, ¡qué sé yo!:
provoca campanarios con su risa,
y al fin, me mira, y canta a media voz:
(Cantado)
Quereme así, piantao, piantao, piantao...Trepate a esta ternura de locos que hay en mí,
ponete esta peluca de alondras, ¡y volá!
¡Volá conmigo ya! ¡Vení, volá, vení!
Quereme así, piantao, piantao, piantao...
Abrite los amores que vamos a intentar
la mágica locura total de revivir...
¡Vení, volá, vení! ¡Trai-lai-la-larará!
(Gritado)
¡Viva! ¡Viva! ¡Viva!
Loca el y loca yo...
¡Locos! ¡Locos! ¡Locos!
¡Loca el y loca yo
domingo, 11 de abril de 2010
sábado, 10 de abril de 2010
Variações do Cosmos
«Segundo alguns psicanalistas quando nos apaixonamos não nos relacionamos com alguém de carne e osso mas com uma projeção criada por você mesmo e a projeção que fazemos é a de um ser completamente perfeito. Mas depois de um período a projeção acaba e você passa a ver de verdade a pessoa com que está se relacionando; invariavelmente algumas virtudes do parceiro ou da parceira vão embora com a projeção...
outras ficam...
e se o que ficou de cada um for suficiente para os dois, a relação perdura.
caso contrário... ninguém sabe o que faz o botãozinho ligar e iniciar uma nova projeção.»[Freud]
outras ficam...
e se o que ficou de cada um for suficiente para os dois, a relação perdura.
caso contrário... ninguém sabe o que faz o botãozinho ligar e iniciar uma nova projeção.»[Freud]
Freud a recordar-me desta evidência
"Qualquer um que desperto se comportasse como nos sonhos seria tomado por louco." [Sigmund Freud]
quinta-feira, 8 de abril de 2010
No matter what, women must keep 10 things, at least, in life:
2. Class
3. high thoughts, high horizons
4. joy
5. let herself be rescued by good emotions
6. independence & inteligence
7. Open Mind to new challenges
8. consistency & firmness
9. Goddess spirit
10. Last but not least: criativity dealing with men
terça-feira, 6 de abril de 2010
Semana santa in the mood of Whatever Works for Woody Allen, Works for me too.
HOT Chip – One Life Stand -, Transa Atlântica de Mónica Marques, adquirida numa maravilhosa aparição, numa feira de livros na Gare do Oriente, o Woody Allen e a sua prosa irónica, neurótica mas inteligente, desconcertada e ao mesmo tempo inquietante, incrivelmente absurda mas cheia de humor, a tua voz ao lado; tudo a fazer fila para entrar pela porta algo hermética nos últimos tempos do meu pensamento. Adicione-se, ainda, a incrível inquietação sobre a verdade que se me afigura cada vez mais evidente de que os livros surgem na nossa vida ao mesmo tempo que falam das nossas histórias reais, fazendo um Pounch – Wake Up bastard, this is you, this is your history, don´t forget to clean all the pieces of you on the Wet Floor. As Frases que agarro ao presente são íman para agarrar a vida. Será que agora vou começar a escrever a sério? Ou será mais um capricho efusivo resultado da leitura jactante de um livro numa tarde? sempre tive um desejo nunca antes partilhado, de poder abandonar o mundo de vez em quando, assim por largos meses, não de partir num barco e viajar pelo mundo, mas recolher-me numa daquelas casas para escritores, e, como uma espécie de retiro, escrever, escrever, escrever e escrever, deixando para trás todos os demónios, purificar-me, despejar maleitas interiores acumuladas, despejar tudo até ao limite, deitá-las para outras cabeças, para quem tiver paciência de ler; passar maldições para os leitores e assim ser salva e não salvar. É para isso que muitos escritores escrevem, não porque gostem do mundo, mas para despejarem as suas maldições. (Close thought: Tudo isto é pura teoria: quem em Portugal fica salvo através da escrita sem estar exposto, Portugal é pequeno demais para se estar a salvo do que quer que seja, in a matter of fact). Anyway, esta semana santa, trouxe-me uma espécie de retiro idílico, não um retiro existencialista, solitário, surdo, mas com doses extras de prozac humanista e literário: bring me Woody allen que me fez aumentar a vontade de viver na condição do Whatever Works; isto chamo de encontro perfeito, like soul mate, e a prova evidente que também sou a litle beat neurotic, and romantic, idealistic, e que não se apaixona pela lógica. Find out: Sou perfeitamente irredutível a quem vem logo esgrimir argumentos assentes numa lógica das qualidades e características do seu amado(a), tornando-o num ser romanceado, tudo menos humano; é próprio dos humanos terem muito mais defeitos e ainda assim serem amados, sem para isso haver explicações. Ao contrário do trabalho, o Amor existe, sente-se e não precisa de argumentação; pode-se exprimir perfeitamente num conjunto de orações linguísticas, mais ou menos entrelaçadas para formar uma espécie de arquitectura do sentir. A minha avó paterna nunca dissertou muito sobre porque amou o meu avô, e estiveram juntos a vida inteira. Nunca lhe assisti a uma crise de depressão por causa do seu casamento, ou angústia, e foi um Amor intenso; lembro-me de ser pequena e ouvir a voz do meu avô para a minha avó, a perguntar-lhe se ela não iria arranjar o cabelo à cabeleireira; chegava ele mesmo a fazer o telefonema e marcar com a cabeleireira a ida da minha avó; era um gesto verdadeiramente romântico sem o ser muito evidente. Já a minha outra avó entrou no corredor das paixões e amores violentíssimos, dilacerantes, arrebatadoras e foi uma mulher sempre melancólica, optou muitas vezes por pensar muito, ponderar escolhas e recuar, mas avançar quando se tornava legítimo e obrigatório; Não se procure muito explicar, argumentar o porquê dos amores, mas deixe-se a porta escancarada para quando algo de bom entrar que seja bem- vindo. Whatever Works it´s fine, and if it Works, better, if not, try again. São assim os Sábados perfeitos, como os da semana santa: dedicado ao Amor pelos livros, pela música, pelo cinema e pelo meu cobertor vermelho de alguns-fins-de-semana a serenar o espírito e corpo inquietos e a tua voz logo ali ao lado para ouvir isto tudo a sair.
terça-feira, 30 de março de 2010
O acto ou efeito de estarmos embriagados!
EMBRIAGUEM-SE
É preciso estar sempre embriagado. Aí está: eis a única questão. Para não sentirem o fardo horrível do Tempo que verga e inclina para a terra, é preciso que se embriaguem sem descanso.
Com quê? Com vinho, poesia ou virtude, a escolher. Mas embriaguem-se.
E se, porventura, nos degraus de um palácio, sobre a relva verde de um fosso, na solidão morna do quarto, a embriaguez diminuir ou desaparecer quando você acordar, pergunte ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo que flui, a tudo que geme, a tudo que gira, a tudo que canta, a tudo que fala, pergunte que horas são; e o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, o relógio responderão: "É hora de embriagar-se! Para não serem os escravos martirizados do Tempo, embriaguem-se; embriaguem-se sem descanso". Com vinho, poesia ou virtude, a escolher.
Charles Baudelaire
É preciso estar sempre embriagado. Aí está: eis a única questão. Para não sentirem o fardo horrível do Tempo que verga e inclina para a terra, é preciso que se embriaguem sem descanso.
Com quê? Com vinho, poesia ou virtude, a escolher. Mas embriaguem-se.
E se, porventura, nos degraus de um palácio, sobre a relva verde de um fosso, na solidão morna do quarto, a embriaguez diminuir ou desaparecer quando você acordar, pergunte ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo que flui, a tudo que geme, a tudo que gira, a tudo que canta, a tudo que fala, pergunte que horas são; e o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, o relógio responderão: "É hora de embriagar-se! Para não serem os escravos martirizados do Tempo, embriaguem-se; embriaguem-se sem descanso". Com vinho, poesia ou virtude, a escolher.
Charles Baudelaire
domingo, 28 de março de 2010
sexta-feira, 26 de março de 2010
I am the Master of my fate, i am the captain of my soul.
Invictus
Out of the night that covers me,
Black as the Pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.
In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed.
Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds, and shall find, me unafraid.
It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll.
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul.
William Ernest Henley
Out of the night that covers me,
Black as the Pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.
In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed.
Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds, and shall find, me unafraid.
It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll.
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul.
William Ernest Henley
quinta-feira, 25 de março de 2010
terça-feira, 23 de março de 2010
Porque adoro ler
(..)Alterno a confiança com o desalento, a esperança de uma saída para o mundo com a visão da desumanidade aterradora, a preservação dos valores do espírito com o regresso à pior animalidade(…)Penso com inveja nos meus gatos que não sabem nada disto que percorre o mundo. Escrever ajuda, já que não sei fazer malha(..)
Pedro Paixão, A cidade depois.
Mensagem escrita
Os dias que se julgaram cortados, estilhaçados como pedaços de vidro, amarfanhados como novelos agarrados ao que resta da tua lembrança, foram resgatados por um barco-salva-vidas de um azul topázio que se confundiu com as águas do mar.
Os dias que se sentiram inúteis e letárgicos foram inundados por uma voz silente num bilhete de uma viagem de ida. Sei a tua origem e o teu destino, mas tu não sabes nada da minha viagem, apenas e sagradamente me conferiste a tua presença e o teu embaraço. Não foram precisas as palavras na sua forma original, a ecoar no meio dos outros para me reconheceres. Estou agora a recriar o momento em que em silêncio me tentaste salvar; mas tu não sabias que eu não quero salvação, que já não há salvação para as mulheres que estão sempre em viagem.
Os dias que se sentiram inúteis e letárgicos foram inundados por uma voz silente num bilhete de uma viagem de ida. Sei a tua origem e o teu destino, mas tu não sabes nada da minha viagem, apenas e sagradamente me conferiste a tua presença e o teu embaraço. Não foram precisas as palavras na sua forma original, a ecoar no meio dos outros para me reconheceres. Estou agora a recriar o momento em que em silêncio me tentaste salvar; mas tu não sabias que eu não quero salvação, que já não há salvação para as mulheres que estão sempre em viagem.
sexta-feira, 19 de março de 2010
terça-feira, 16 de março de 2010
segunda-feira, 15 de março de 2010
Começar a semana com disparates, esperando que seja Sol de pouca dura!
Um homem faz sobre a Terra a mesma figura que um piolho de uma linha de altura e de um quinto de largura sobre uma montanha de mais ou menos 15700 pés de circunferência.
Livro dos disparates, Voltaire.
Livro dos disparates, Voltaire.
quinta-feira, 11 de março de 2010
quarta-feira, 10 de março de 2010
segunda-feira, 8 de março de 2010
sexta-feira, 5 de março de 2010
quarta-feira, 3 de março de 2010
No to you, yes to me!
A presença dos dias faz-se sem sobressaltos: aduaneiros, taxativos, sem restrições de qualquer índole, como a liberdade fastidiosa da esfera rural. Uma manhã silenciosa, pueril, um cumprimento na hora do café, um passo descontraído a cortar as cortinas súcias do tempo que escorre na tua boca ausente; sempre essa ausência a esgar sobre os trilhos perniciosos do meu pensamento; não sei se pensarei mais na tua boca. Nem é bonita; é pequena, esdrúxula, côncava, a delimitar o grau do teu desejo. Tudo em ti é mudo, só o teu corpo fala estranhamente, como se te impusesses uma qualquer obrigação, uma qualquer necessidade de saltares para a longitude da vida, mas sem prazer absoluto. Therefore
domingo, 28 de fevereiro de 2010
Análise: mea culpa!
Ultimamente ando farta de tudo e de todos. Sou literalmente a canção do AV; estou bem onde não estou porque só quero ir onde não vou, e acrescento que quero o que não tenho, quero quem não tenho, e quando o tenho, volto a não querer porque deixa de ter interesse. Sou mesmo uma mente retorcida e escura. Mas esse estado de espírito já está carcomido de velho; não é a primeira vez que no meu eu se deflagram estes vulcões; ando assim mais ou menos como o Planeta, a chover imenso, a tremer de raiva, a dar umas valentes sapatadas na vida e de quem me azucrina o juízo - ainda que este último seja pouco, é, na verdade, o que tenho neste momento -. Dou por mim a detestar ver as noticias das catástrofes e a entender perfeitamente a terra, a repudiar totalmente a mentalidade dos políticos portugueses sem perceber muito bem de onde vem este ódio, a lamentar viver onde vivo, a não saber falar a linguagem de algumas pessoas, a entediar-me enormemente com as pessoas que se julgam as maiores e que os outros à volta são uma merda. Detesto pessoas pedantes (não aguento nem 5 minutos). Ainda bem que não sou rica, seria detestável; trataria todos os quem me irritassem abaixo de cão, até pior, com desprezo, indiferença, sendo portanto, a pior das piores dos pedantes. Não entendo os que não gostam de arte, ou de qualquer forma de educar o espírito através da beleza; não sei chegar às pessoas caladas, às politicamente correctas, e que actuam no amor como actuam na gestão da despesas da casa em tempos de crise: poupar, poupar e poupar. Mas se bem me lembro o amor não é negócio e muito menos economia; é gastar ao desbarato sem se preocupar com saldos e poupança; eu, tal como a Mónica Marques também sou daquelas que perguntam: Amas-me muito, quanto? Se a resposta tiver reservas então fodeu.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Arabesque
On fait toujours la vaisselle des âmes quand on écoute des musiques comme celle ci.
Il n´y a aucun toxine mentale qu´y fait son nid.
Ennuyez vous du Monde mais pas de l´art!
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
domingo, 14 de fevereiro de 2010
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Women atitude! F*** O**
Conselho no feminino: É melhor dar de rosques quando uma mulher está zangada!
Vós, espécimes do género masculino, vão apanhar ar, passear o cão, mudar a água dos vasos lá de casa, comprar cigarros(e/ou nunca mais voltar), fumar um cigarro à varanda, mudar de roupa interior, lavar a loiça, ir às compras ao supermercado mais perto, ou o que vos mais vos convier, mas nunca, por nunca ser, verbalizem um fonema sequer junto de uma Mulher Zangada, sob pena de sairem de cena direitinhos para as urgências do Hospital com um salto de 7 cms cravados numa qualquer débil parte do vosso corpo!
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Perito em Catástrofes
Ontem fui a tribunal; há uns meses atrás fui nomeada perita num processo! Eu que nunca fui perita em coisíssima nenhuma, tive ontem o meu dia por excelência. Não se deixem impressionar pela minha humilde e efémera nomenclatura. Tal como fagulha no céu, assim foi o meu episódio!
Hoje, sim, ao ler esta noticia fiz as minhas vénias mentais!
Hoje, sim, ao ler esta noticia fiz as minhas vénias mentais!
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Gossip
calhandrice
(calhandro + -ice)
s. f.Atitude de quem gosta de intrigas ou de boatos. = bisbilhotice, coscuvilhice, mexeriquice
Calhandrice é um termo cuja rubrica de autenticação provém da mais alta patente do nosso País - O nosso Governo - e, que dá nome à Novela: Mário Crespo.
A partir de agora, e para meu governo, não se admirem que eu usurpe esta palavra para a cravar na cara de quem me moleste o intestino.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Poésie inintérompue
"Tu dressais une haute épée
Comme un drapeau au vent contraire
Tu dressais ton regard contre l'ombre et le vent
Des ténèbres confondantes
Tu n'as pas voulu partager
II n'y a rien à attendre de rien
La pierre ne tombera pas sur toi
Ni l'éloge complaisant
Dur contempteur avance en renonçant
Le plaisir naît au sein de ton refus
L'art pourrait être une grimace
Tu le réduis à n'être qu'une porte
Ouverte par laquelle entre la vie"
Paul Éluard
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
NIGHT THOUGHT
ilustração: owen freeman
send me some smile
to be consciousness of you
to remind me that love
is what we have for destiny.
Send me some gracefull words
to dress my fear :
then i do not forget your presence
IN MY SOUL.
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Body milk, body lotion whatever
Um dos melhores remédios para a nostalgia e o não saber o que fazer com o tempo é cultivar hábitos de vida saudáveis, como por exemplo a natação. Ao tempo frio, há que mexer o corpo. Hoje, depois do trabalho, em mais uma ida à piscina, percebi que se pode realmente ser saudável e diferente gastando pouco dinheiro. Há a alternativa do ginásio, claro, as máquinas todas para nos fazer malhar forte e feio, mas nessa tentativa de esculpir o que mãe natureza nos oferece com a ajuda dos genes do nossos progenitores, pode tornar-se uma grande seca, ainda por cima cansativa, mal cheirosa e dispendiosa. Toda a gente a promulgar suor depois de se espraiar(como eu gosto desta palavra)naquelas máquinas, pode ser uma aventura para repelir os mais crédulos no acto da sedução. Além de que gastamos muito mais carcanhol e nos tornamos duplamente deprimidos. Os olhares podem, de facto, enviesar quando o olfacto entra em acção. Todos nós sabemos que a sedução tem muito mais a ver com o olfacto do que com o visual. Não há nariz que aguente uma moçoila ou moçoilo mal cheiroso, transpirado; perde-se logo todo o sex appel mesmo para aqueles que são primatas nesta área, que fantasiam com o eleito(a) a cheirar a cavalo. No que a mim me diz respeito, eu cá, gosto dos perfumadinhos; a atracção é como a comida, têm um elemento em comum: - o cheiro - , que nos atrai como isco, ratoeira emotiva. Ora, a piscina, é por excelência, um local dos lavadinhos, fresquinhos e dos bem cheirosos. Depois de umas valentes braçadas, vamo-nos baptizar ao chuveiro com água quentinha, e, logo em seguida, principalmente as mulheres podem mostrar os seus melhores amigos que são nem mais nem menos os body lotions à venda no mercado. Os gostos variam e há de tudo como na farmácia, seja ele de sabor a baunilha, a morango, a olive, bem, um sem número de cremes que nos transportam para a dimensão do corpo perfumado. Hoje, uma senhora, aproxima-se de mim e diz: reconheci-a por causa do cheiro do seu creme; é mesmo bom. Para minha alegria, e pela boa escolha do meu creme hidratante, veio também a ideia de que na piscina todos somos iguais, com banha ou menos banha, sem as roupas, apenas pernas, barrigas, cabelos mal amanhados, e arrepiados, caras sem maquiagem, ali ninguém é diferente; somos, sim, diferentes pela escolha do bendito creme com que untamos os nossos esqueletos mais ou menos gorditos ou mais ou menos magritos. Fiquei contente pelo grau de fraternização que se gera nos balneários de uma piscina. A Maria, a Elisa, a Jordana a Paula, deixam a sua categoria profissional lá fora e são distinguidas pelo cheiro de um creme. É bom saber que há ainda pequenas coisas que nos podem tornar diferentes, e a um custo muito em conta. Bons motivos para ir alegre para casa jantar a sopita e a fruta do costume.
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Amor Poliglota
Amo-te em diversos idiomas!
Albanês - Te dua
Alemão - Ich liebe dich
Árabe - Ana behibak (para homem)
Árabe - Ana behibek (para mulher)
Bielorrusso - Ya tabe kahay
Búlgaro - Obicham te
Catalão - T'estimo
Checo - Miluji te Danish - Jeg Elsker Dig
Chinês - Ngo oiy ney a
Croata - Volim te
Esloveno - Ljubim te
Espanhol - Te quiero / Te amo
Esperanto - Mi amas vin
Estoniano - Ma armastan sind
Filipino - Mahal kita
Francês - Je t'aime, Je t'adore
Georgiano - Mikvarhar
Grego - S'agapo
Havaiano - Aloha wau ia oi
Hebreu - Ani ohev et otha (para homem)
Hebreu - Ani ohev otah (para mulher)
Holandês - Ik hou van jou
Húngaro - Szeretlek
Inglês - I love you
Irlandês - Taim i' ngra leat
Islandês - Eg elska tig
Italiano - Ti amo
Japonês - Aishiteru
Libanês - Bahibak
Lituano - Tave myliu
Marroquino - Ana moajaba bik
Nepalês - Ma Timilai Maya Garchhu
Norueguês - Jeg Elsker Deg
Romeno - Te ubesc
Russo - Ya tebya liubliu
Turco - Seni Seviyorum
Ucraniano - Ya tebe kahayu
E se quiser ser mesmo original, diga-o em Vulcan, a língua falada na série Star Treck. "Wani ra yana ro aisha" para alguém especial.
Fonte: http://mulher.sapo.pt/actualidade/em-foco/amo-te-em-diversas-idiomas-1041037.html
Albanês - Te dua
Alemão - Ich liebe dich
Árabe - Ana behibak (para homem)
Árabe - Ana behibek (para mulher)
Bielorrusso - Ya tabe kahay
Búlgaro - Obicham te
Catalão - T'estimo
Checo - Miluji te Danish - Jeg Elsker Dig
Chinês - Ngo oiy ney a
Croata - Volim te
Esloveno - Ljubim te
Espanhol - Te quiero / Te amo
Esperanto - Mi amas vin
Estoniano - Ma armastan sind
Filipino - Mahal kita
Francês - Je t'aime, Je t'adore
Georgiano - Mikvarhar
Grego - S'agapo
Havaiano - Aloha wau ia oi
Hebreu - Ani ohev et otha (para homem)
Hebreu - Ani ohev otah (para mulher)
Holandês - Ik hou van jou
Húngaro - Szeretlek
Inglês - I love you
Irlandês - Taim i' ngra leat
Islandês - Eg elska tig
Italiano - Ti amo
Japonês - Aishiteru
Libanês - Bahibak
Lituano - Tave myliu
Marroquino - Ana moajaba bik
Nepalês - Ma Timilai Maya Garchhu
Norueguês - Jeg Elsker Deg
Romeno - Te ubesc
Russo - Ya tebya liubliu
Turco - Seni Seviyorum
Ucraniano - Ya tebe kahayu
E se quiser ser mesmo original, diga-o em Vulcan, a língua falada na série Star Treck. "Wani ra yana ro aisha" para alguém especial.
Fonte: http://mulher.sapo.pt/actualidade/em-foco/amo-te-em-diversas-idiomas-1041037.html
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Que cantam los poetas?
EL ALBA DENOMINADORA
A embestidas suaves y rosas, la madrugada te iba poniendo nombres:
Sueño equivocado, Ángel sin salida, Mentira de lluvia en bosque.
Al lindero de mi alma, que recuerda los ríos,
indecisa, dudó, inmóvil:
¿Vertida estrella, Confusa luz en llanto, Cristal sin voces?
No.
Error de nieve en agua, tu nombre.
Rafael Alberti
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Morde la vie à pleines dents
19 Janvier 2010
Période placée sous l'égide de la chance et de la réussite. Vos initiatives seront couronnées de succès autant sur le plan professionnel que dans vos loisirs, PAULA . Vous en profiterez pour débuter une activité nouvelle qui ne participera à votre épanouissement futur. N'hésitez donc pas à brûler la chandelle par les deux bouts et mordez la vie à pleines dents...
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Air - Venus
Sábado, 16 de Janeiro, os Air actuaram no Coliseu em Lisboa.
Um concerto etéreo, como é este grupo francês que nos transporta para outra dimensão.
A electrónica serve de bandeja às inúmeras misturas de sons apoiadas na magia e fantasia que só eles sabem combinar. Foi imperdível, e para iniciar o Ano de 2010 não foi nada mau; saí de lá uma pessoa melhor.
Um concerto etéreo, como é este grupo francês que nos transporta para outra dimensão.
A electrónica serve de bandeja às inúmeras misturas de sons apoiadas na magia e fantasia que só eles sabem combinar. Foi imperdível, e para iniciar o Ano de 2010 não foi nada mau; saí de lá uma pessoa melhor.
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Onde é que eu ando com a cabeça nestes dias?
Nos Air
All I need is a little time
To get behind this sun and cast my weight
All I need's a peace of this mind
Then I can celebrate
All in all, there's something to give
All in all, there's something to do.
All in all, there's something to live
With you.
Far away, far away.
All I need is a little sign
To get behind this sun and this weight off my heart
All I need is a place to hide
And there I'll celebrate.
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
Rain
A solidão é como uma chuva.
Ergue-se do mar ao encontro das noites;
de planícies distantes e remotas
sobe ao céu, que sempre a guarda.
E do céu tomba sobre a cidade.
Cai como chuva nas horas ambíguas,
quando todas as vielas se voltam para a manhã
e quando os corpos, que nada encontraram,
desiludidos e tristes se separam;
e quando aqueles que se odeiam
têm de dormir juntos na mesma cama:
então, a solidão vai com os rios...
Rainer Maria Rilke, in "O Livro das Imagens"
Tradução de Maria João Costa Pereira
Ergue-se do mar ao encontro das noites;
de planícies distantes e remotas
sobe ao céu, que sempre a guarda.
E do céu tomba sobre a cidade.
Cai como chuva nas horas ambíguas,
quando todas as vielas se voltam para a manhã
e quando os corpos, que nada encontraram,
desiludidos e tristes se separam;
e quando aqueles que se odeiam
têm de dormir juntos na mesma cama:
então, a solidão vai com os rios...
Rainer Maria Rilke, in "O Livro das Imagens"
Tradução de Maria João Costa Pereira
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Le genou de claire - Eric Rohmer
"La fascinación es un estado difícil de explicar(....) la fascinación es un pinchazo leve y persistente y es primo hermano de la obsesión. Muy difícil de olvidar por cierto."
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Equilibrio
sometimes it takes two to everything make sense and have balance:
two eyes, two ears, two hands
or
two boats
or
two life´s together
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
Há cidades cor de pérola onde as mulheres
Há cidades cor de pérola onde as mulheres
existem velozmente. Onde
às vezes páram, e são morosas
por dentro. Há cidades absolutas,
trabalhadas interiormente pelo pensamento
das mulheres.
Lugares límpidos e depois nocturnos,
vistos ao alto como um fogo antigo,
ou como um fogo juvenil.
Vistos fixamente abaixados nas águas
celestes.
Há lugares de um esplendor virgem,
com mulheres puras cujas mãos
estremecem. Mulheres que imaginam
num supremo silêncio, elevando-se
sobre as pancadas da minha arte interior.
Há cidades esquecidas pelas semanas fora.
Emoções onde vivo sem orelhas
nem dedos. Onde consumo
uma amizade bárbara. Um amor
levitante. Zona
que se refere aos meus dons desconhecidos.
Há fervorosas e leves cidades sob os arcos
pensadores. Para que algumas mulheres
sejam cândidas. Para que alguém
bata em mim no alto da noite e me diga
o terror de semanas desaparecidas.
Eu durmo no ar dessas cidades femininas
cujos espinhos e sangues me inspiram
o fundo da vida.
Nelas queimo o mês que me pertence.
o minha loucura, escada
sobre escada.
MuIheres que eu amo com um desespero
fulminante, a quem beijo os pés
supostos entre pensamento e movimento.
Cujo nome belo e sufocante digo com terror,
com alegria. Em que toco levemente
Imente a boca brutal.
Há mulheres que colocam cidades doces
e formidáveis no espaço, dentro
de ténues pérolas.
Que racham a luz de alto a baixo
e criam uma insondável ilusão.
Dentro de minha idade, desde
a treva, de crime em crime - espero
a felicidade de loucas delicadas
mulheres.
Uma cidade voltada para dentro
do génio, aberta como uma boca
em cima do som.
Com estrelas secas.
Parada.
Subo as mulheres aos degraus.
Seus pedregulhos perante Deus.
É a vida futura tocando o sangue
de um amargo delírio.
Olho de cima a beleza genial
de sua cabeça
ardente: - E as altas cidades desenvolvem-se
no meu pensamento quente.
Herberto Helder
Lugar
Poesia Toda
Assírio & Alvim
1979
existem velozmente. Onde
às vezes páram, e são morosas
por dentro. Há cidades absolutas,
trabalhadas interiormente pelo pensamento
das mulheres.
Lugares límpidos e depois nocturnos,
vistos ao alto como um fogo antigo,
ou como um fogo juvenil.
Vistos fixamente abaixados nas águas
celestes.
Há lugares de um esplendor virgem,
com mulheres puras cujas mãos
estremecem. Mulheres que imaginam
num supremo silêncio, elevando-se
sobre as pancadas da minha arte interior.
Há cidades esquecidas pelas semanas fora.
Emoções onde vivo sem orelhas
nem dedos. Onde consumo
uma amizade bárbara. Um amor
levitante. Zona
que se refere aos meus dons desconhecidos.
Há fervorosas e leves cidades sob os arcos
pensadores. Para que algumas mulheres
sejam cândidas. Para que alguém
bata em mim no alto da noite e me diga
o terror de semanas desaparecidas.
Eu durmo no ar dessas cidades femininas
cujos espinhos e sangues me inspiram
o fundo da vida.
Nelas queimo o mês que me pertence.
o minha loucura, escada
sobre escada.
MuIheres que eu amo com um desespero
fulminante, a quem beijo os pés
supostos entre pensamento e movimento.
Cujo nome belo e sufocante digo com terror,
com alegria. Em que toco levemente
Imente a boca brutal.
Há mulheres que colocam cidades doces
e formidáveis no espaço, dentro
de ténues pérolas.
Que racham a luz de alto a baixo
e criam uma insondável ilusão.
Dentro de minha idade, desde
a treva, de crime em crime - espero
a felicidade de loucas delicadas
mulheres.
Uma cidade voltada para dentro
do génio, aberta como uma boca
em cima do som.
Com estrelas secas.
Parada.
Subo as mulheres aos degraus.
Seus pedregulhos perante Deus.
É a vida futura tocando o sangue
de um amargo delírio.
Olho de cima a beleza genial
de sua cabeça
ardente: - E as altas cidades desenvolvem-se
no meu pensamento quente.
Herberto Helder
Lugar
Poesia Toda
Assírio & Alvim
1979
.....
Sorriso Audível das Folhas
Sorriso audível das folhas
Não és mais que a brisa ali
Se eu te olho e tu me olhas,
Quem primeiro é que sorri?
O primeiro a sorrir ri.
Ri e olha de repente
Para fins de não olhar
Para onde nas folhas sente
O som do vento a passar
Tudo é vento e disfarçar.
Mas o olhar, de estar olhando
Onde não olha, voltou
E estamos os dois falando
O que se não conversou
Isto acaba ou começou?
Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"
Sorriso audível das folhas
Não és mais que a brisa ali
Se eu te olho e tu me olhas,
Quem primeiro é que sorri?
O primeiro a sorrir ri.
Ri e olha de repente
Para fins de não olhar
Para onde nas folhas sente
O som do vento a passar
Tudo é vento e disfarçar.
Mas o olhar, de estar olhando
Onde não olha, voltou
E estamos os dois falando
O que se não conversou
Isto acaba ou começou?
Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
domingo, 3 de janeiro de 2010
2010 - sem reservas
o Natal foi engordativo, quentinho, Alentejano, transmontano, cericaia, azevia, borba, Fraga do Facho(reserva), pais, avó, irmão, tios, primas, Badajoz, Portalegre, Torre de Moncorvo, o meu vestido castanho, o meu casaco de pelo, sms´s, livros, música, muita música,nostalgia porque o Natal é assim...and so on and so on...
Fim de década e cheguei aqui com menos peso que há dez anos, mais inteligente que há dez anos, mais madura que há dez anos, mais gira que há dez anos, mais serena que há dez anos, mais emotivamente inteligente que há dez anos, mais curiosa que há dez longos anos, mais viajada que há dez anos...the lis is long...deixo os menos da minha vida no sotão a comerem pó e a brincarem com as aranhas....
2010 - inicio de década - Fico sem reservas em relação a nada e a tudo. Tal como na cozinha e no Amor que não pode haver reservas também há alturas na vida de uma mulher que não pode haver reservas.
Este texto poderia ser mais intenso, mais extenso, mas não me apetece falar muito, é cisma de inicio de década e inicio de ano; se se fala muito não acontece nada, por isso xiuuuuu..
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
A culpa é dos publicitários
Porque é que nos tornamos consumistas? vejam lá se não precisavamos de encurralar os publicitários e os modelos nestas e noutras alturas. Depois a malta fica com neuroses e doenças mentais por ter gasto tanto dinheiro, ah pois é...O que faz bem à vista, faz mal à carteira. Novo provérbio do século que os romanos e os gregos não se lembraram.
Mensagem de Natal
O Pedro Mexia, quem admiro pelo seu trabalho, transcreveu a seguinte mensagem adequada ao ambiente que vivemos nesta quadra. É a voz de Santo Agostinho; é, aliás, a voz de muitas pessoas. A mensagem, bonita pela intenção, é, sobretudo, um enorme desafio: bem dificil de concretizar e alcançar pela qualidade do tempo que se debruça na humanidade sem romantismos e, onde o Amor, a ficar, é apenas figurinha de Banda desenhada, ou caracter de poemas, textos, músicas, intenções mais ou menos resistentes, mais ou menos intensas. Talvez Santo Agostinho tenha conseguido.
domingo, 20 de dezembro de 2009
Dreaming about my Destiny
O Domingo tem este efeito de lifting, de mindstreching, sobre o meu pensamento. O blog do Pedro Rolo Duarte também me fez serenar com esta musica dos Zero7. Ou, ainda, as mensagens inesperadas que nos apertam a barriga. As visitas que fazemos e que nos fazem recordar que a tristeza é vencida com um sorriso e um aperto de mão. Conduzir numa tarde de Domingo e sentir que vives com uma enorme vontade de partir.
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Al - the best
I´m feeling you are being negleted, he says.
Well, i´m expecting somebody, she says.
Instantly, he asks?
No, but any minute now, she says.
Any minute??? Some people live a lifetime in a minute, he says.
Outra mensagem por enviar
Perdão, e esta também tem assim profundidade e coisa e tal...nem sei que dizer, é terrivelmente bela.
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Tríptico
III
Todas as coisas são mesa para os pensamentos
onde faço minha vida de Paz
num peso íntimo de alegria como um existir de mão
fechada puramente sobre o ombro.
- Junto a coisas magnânimas de água
e espíritos,
a casas e achas de manso consumindo-se,
ervas e barcos altos - meus pensamentos criam-se
com um outrora lento, um sabor
de terra velha e pão diurno.
E em cada minuto a criatura
feliz do amor, a nua criatura
da minha história de desejo,
inteiramente se abre em mim como um tempo,
uma pedra simples,
ou um nascer de bichos num lugar de maio.
Ela explica tudo, e o vir para mim -
como se levantam paredes brancas
ou se dão festas nos dedos espantados das crianças
- é a vida ser redonda
com seus ritmos sobressaltados e antigos.
Herberto Helder
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
O destino das cartas de Amor que nunca foram enviadas
Todos em algum dia das nossas vidas escrevemos cartas de Amor que nunca chegaram ao seu destinatário, leia-se, ao nosso amor do momento, ora por falta de coragem, de jeito, ou simplesmente porque não estava escrito que elas tivessem de chegar ao nosso eleito da época. Somos todos uns babacas (influências de 3 semanas linguisticamente brasileiras), quando escrevemos cartas de amor, ficamos moles, dengosos, falamos melado, deixamos a razão numa escotilha e tornamo-nos numa espécie de escravos sentimentais de aborrecido uso das palavras que nos servem para canal de demonstração da torrente sentimental vivida naqueles instantes; Fernando pessoa, o meu querido, era genial enquanto fernando, mas um dengoso enquanto nandinho a escrever a Ofélia; como é que alguém consegue escrever cartas assim sem ser chamado à responsabilidade e ao tribunal das paixões corpulentas, auto afirmativas e suficientes, que não precisam de recursos fraquíssimos como as estruturas linguísticas usadas nas cartas de Amor!? Eu, tal como o nandinho, fico paulinha(como odeio ser paulinha) quando escrevo cartas de Amor. Confesso que a minha sina, senhor, neste mundo, é infelizmente, ser devota das cartas de amor, e prostrar-me no genuflexório das palavras de Amor, tal qual como a devota beata das igrejas católicas, apostólicas, romanas, ou seja, uma chata e melosa na minha servidão. Porém, sucede-me, e ao contrário de outros tempos que não tenho mais coragem de as enviar e por isso fico frustrada; como chocolate durante semanas, vou à casa de banho frequentemente urinar, tenho ataques de ansiedade, taquicardias e outras que tais porque não tive o desplante de enviar os caracteres a jorrar lava de sentimentalismo barato; sou uma inútil. Uma amiga diz que tudo deve ser dito quando falamos de emoções, nada pode ficar guardado, tudo deve ser deitado para fora do casebre(coração) sob pena de não vivermos intensamente o que a vida nos oferece; eu cá fico-me pela cautela. Acho que nem tudo deve ser dito ou escrito quando estamos apaixonados sob pena de parecer e ficar afectada pela persuasão de agradar alguém. Sob pena de no outro lado nos julgarem dengosas, mesmo e quebrar o encanto. Então, eis a questão: Como escrever cartas de Amor sem sermos ridículas? Para resolver o meu problema, acho que tenho uma solução. Escrever, sim, mas em vez de as deitar para o lixo ou guardar na gaveta e arranjar com isso problemas psicossomáticos, o melhor será enviá-las para o universo que é, em meu entender o melhor dos destinatários das cartas de amor, o que está à altura da grandiosidade deste nosso pequeno acto; o mesmo será dizer que o melhor é enviar as nossas cartas de amor para um sitio como este, o blog, um universo onde tudo o que se publica fica guardado e enviado aos deuses, pelo menos a deuses silenciosos, como espero.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Back to Reality
Back from 3 weeks in Brasil.... as recordações são recordações; ficam no porão da Memória.
terça-feira, 10 de novembro de 2009
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
About the painting Magritte said,
At least it hides the face partly. Well, so you have the apparent face, the apple, hiding the visible but hidden, the face of the person. It's something that happens constantly. Everything we see hides another thing, we always want to see what is hidden by what we see. There is an interest in that which is hidden and which the visible does not show us. This interest can take the form of a quite intense feeling, a sort of conflict, one might say, between the visible that is hidden and the visible that is present.[
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